O sistema de saúde da Nigéria está colapsando sob o subfinanciamento crônico e a fuga de cérebros, deixando milhões sem acesso a cuidados básicos. Hospitais superlotados e negligência rural agravam mortes evitáveis por doenças como malária e complicações no parto. Uma peça de opinião destaca a necessidade urgente de reformas para priorizar investimentos em saúde.
Em uma carta publicada no The Guardian Nigeria, Ngamarju Elizabeth Apagu, aluna do terceiro ano de Comunicação de Massa na Universidade de Maiduguri, descreve os problemas de saúde da Nigéria como uma «emergência nacional» ofuscada pelo ruído político e econômico. Ela aponta para hospitais públicos superlotados onde os pacientes jazem no chão nu e os médicos emigram para o exterior devido a condições precárias e baixos salários.
O problema central, escreve Apagu, é o subfinanciamento crônico, com a Nigéria falhando em atingir a meta de 15 % de gastos em saúde da Declaração de Abuja. Isso resulta em hospitais mal equipados, suprimentos médicos inadequados e medicamentos essenciais fora do alcance de muitos. A fuga de cérebros levou milhares de profissionais qualificados a se mudarem para o Reino Unido, Canadá e Estados Unidos na última década, sobrecarregando o pessoal remanescente e causando atrasos fatais no tratamento.
As áreas rurais sofrem mais, com postos de saúde em ruínas e longas viagens para cuidados que colocam em risco mães grávidas e contribuem para mortes evitáveis por complicações no parto, malária e cólera. O modelo de pagamento do próprio bolso onera famílias de baixa renda, forçando escolhas entre contas médicas e necessidades básicas como comida e educação. Muitos recorrem à automedicação ou remédios tradicionais, muitas vezes com resultados trágicos, em meio a atrasos na implementação de um esquema nacional abrangente de seguro de saúde.
Apagu urge reformas imediatas: aumentar os investimentos no setor de saúde com uso transparente de fundos, oferecer incentivos como melhores salários e condições de trabalho para reter profissionais, priorizar centros de saúde rurais e expandir a cobertura de seguros. «A saúde de uma nação é o fundamento de seu progresso», afirma ela, alertando que a negligência enfraquece a produtividade, aprofunda a pobreza e ameaça a segurança nacional. Sem ação, a Nigéria arrisca mais sofrimento em silêncio.