A Comissão da Câmara dos Representantes para Tratados, Protocolos e Acordos lançou uma investigação sobre os tratados bilaterais e multilaterais da Nigéria, memorandos de entendimento e contratos financiados por estrangeiros. As preocupações centram-se em riscos à soberania, exposição à dívida e segurança económica. O presidente da comissão, o deputado Rabiu Yusuf, enfatizou que a revisão visa proteger os interesses nacionais sem viés político.
Na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, a Comissão da Câmara dos Representantes para Tratados, Protocolos e Acordos iniciou uma revisão abrangente de todos os acordos que a Nigéria celebrou com entidades estrangeiras. Liderada pelo presidente da comissão, o deputado Rabiu Yusuf, a investigação aborda ameaças potenciais à soberania do país, incluindo obrigações ocultas, renúncias à soberania, cláusulas de arbitragem desfavoráveis e riscos financeiros não divulgados em tratados e contratos.
A comissão destacou fraquezas na supervisão dos processos de elaboração de tratados, particularmente em projetos de infraestrutura financiados por estrangeiros envolvendo empresas estrangeiras, como firmas chinesas. Estes contratos serão examinados quanto ao custo-benefício, exposição a empréstimos, conformidade com requisitos de conteúdo local, padrões de desempenho e adesão a regulamentos ambientais e laborais. «A Nigéria não pode permitir tratados que enfraqueçam a nossa autoridade legal, comprometam ativos nacionais ou sobrecarreguem as gerações futuras com passivos insustentáveis», afirmou a comissão.
Esta iniciativa cumpre os deveres constitucionais da Câmara ao abrigo da Secção 12 da Constituição de 1999, que exige aprovação legislativa para que os tratados tenham força de lei. A revisão visa reforçar as capacidades de negociação da Nigéria e estabelecer um quadro nacional para a supervisão de tratados, incluindo sistemas de rastreamento digital. Os tratados influenciam áreas chave como criação de empregos, comércio, tributação, infraestrutura e investimento estrangeiro; acordos falhos poderiam agravar a dívida e colocar em risco ativos estratégicos. «O nosso objetivo é simples: a Nigéria nunca deve assinar o que não pode defender», afirmou a comissão.
Para conduzir a investigação, a comissão solicitará documentos a ministérios federais, departamentos e agências (MDAs), governos estaduais, contratantes estrangeiros, missões diplomáticas, bancos e instituições financeiras. A Service Management Consultancy Nigeria foi contratada como consultora técnica para fornecer apoio forense, jurídico, financeiro e técnico. Será lançada uma campanha de sensibilização pública para educar os cidadãos sobre o trabalho da comissão.
O incumprimento por MDAs ou entidades estrangeiras poderá levar a sanções nos termos das Secções 88 e 89 da Constituição. O processo inclui recolha de documentos, verificação, avaliações forenses, revisões jurídicas, audiências com partes interessadas, inspeções de campo e um relatório final à Câmara. «Esta investigação será exaustiva, profissional, não partidária e guiada estritamente por provas», assegurou o deputado Yusuf. A comissão comprometeu-se a iluminar acordos opacos, salvaguardar a soberania da Nigéria e garantir que os tratados honrem a dignidade e o futuro da nação.