A indústria açucareira argentina alcançou uma colheita recorde em 2024, com produção excepcional de cana, açúcar e álcool, de acordo com Jorge Freijó, presidente do Centro de Açúcar Argentino. No entanto, os preços internos não melhoraram, permanecendo nos níveis de dois anos atrás. Freijó também defendeu políticas mais fortes de biocombustíveis para impulsionar o futuro do setor.
Em uma entrevista ao Canal E, Jorge Freijó, presidente do Centro de Açúcar Argentino, analisou os resultados da colheita de 2024. "Do ponto de vista produtivo, é uma colheita muito boa; as condições climáticas apoiaram o período de moagem", afirmou. A campanha registrará um recorde na moagem de cana e na produção de álcool, estimada em mais de 600.000 metros cúbicos. As exportações de açúcar excederão 600.000 toneladas, igualando o volume do ano anterior.
Apesar desse boom produtivo, os preços internos do açúcar não acompanharam. "Infelizmente, em termos de preços, não foi um bom ano: o açúcar está muito afetado, com valores repetindo os de dois anos atrás", explicou Freijó. Ele atribuiu isso a desequilíbrios sazonais e financeiros: "Em seis meses, o setor produz o que o país consome em doze, e as taxas de financiamento não ajudaram." Ele espera que, com o fim da colheita, os preços se ajustem aos custos crescentes.
Freijó também abordou o debate sobre a nova lei de biocombustíveis, apoiando o projeto promovido pela Liga das Províncias de Bioenergia. "Desde o ano passado, mantivemos uma posição muito firme em apoio ao projeto de lei", disse. Ele destacou a necessidade de um mercado mais aberto e competitivo, comparando-o a outros: "O Brasil hoje mistura etanol na gasolina em 30%, o Paraguai também em 30%, os Estados Unidos generalizaram 15%, e a Índia alcançará 20% em poucos anos; nós permanecemos em 12%." Ele lembrou que a política iniciada em 2006 criou 50 indústrias por meio de investimentos em biocombustíveis. O bioetanol de açúcar de cana fornece metade da mistura de 12% na gasolina, complementada pelo de milho. "Acreditamos que os biocombustíveis são o caminho para um futuro mais sustentável e competitivo para a Argentina", concluiu.