Um novo relatório da Fundação Ellen MacArthur insta os formuladores de políticas a integrar materiais de base biológica nas estratégias de economia circular. A análise conclui que materiais renováveis, como algodão, madeira e borracha, têm sido amplamente negligenciados, desperdiçando oportunidades avaliadas em trilhões de dólares e benefícios climáticos significativos.
O relatório, intitulado "Circular by Nature" e publicado em 22 de junho, examinou 13 estratégias nacionais de economia circular e 18 estruturas de bioeconomia. O documento conclui que tratar materiais cultivados apenas como substitutos de insumos fósseis desperdiça seu potencial de uso repetido e retorno seguro ao solo.
Exemplos de esforços existentes incluem a parceria da Gucci com a NATIVA para obter lã regenerativa em 115.000 hectares e a plataforma de revenda Repassa, das Lojas Renner, no Brasil, que desviou 600.000 itens de aterros sanitários em 2023. Na Índia, a MYNUSCo converte resíduos agrícolas em pellets de biocomposto, pagando aos agricultores de duas a três vezes a taxa de mercado de biocombustíveis.
O relatório estima que alinhar as duas áreas de políticas públicas poderia gerar até US$ 10 trilhões em oportunidades anuais até 2030 e contribuir com até um terço dos cortes de emissões necessários para limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius. O estudo recomenda cinco regras de design para materiais, incluindo práticas de cultivo regenerativo, produção livre de toxinas, durabilidade, reutilização entre indústrias e recuperação ao fim da vida útil, apoiadas por cadeias de valor justas.
Mais de 100 países possuem atualmente roteiros de economia circular, um aumento de cerca de um terço desde 2024. A fundação argumenta que esses planos ficarão aquém do esperado, a menos que os sistemas de base biológica sejam redesenhados para a circulação, em vez do consumo linear.