Um novo relatório de especialistas alerta que as tecnologias de remoção de dióxido de carbono marinho não estão prontas para uso em grande escala sem salvaguardas robustas. Lançado durante a COP30 no Brasil, as conclusões enfatizam priorizar cortes de emissões sobre métodos oceânicos não comprovados. Pesquisadores destacam a necessidade de melhor monitoramento para evitar danos ambientais.
O relatório do European Marine Board, intitulado 'Monitoring, Reporting and Verification for Marine Carbon Dioxide Removal', foi lançado em 17 de novembro de 2025, durante a conferência climática da ONU COP30 no Brasil. Liderado por Helene Muri, pesquisadora sênior no Norwegian Institute for Air Research (NILU) e na Norwegian University of Science and Technology (NTNU), o painel avaliou estratégias oceânicas para absorver dióxido de carbono.
Os oceanos são esperados para ajudar a retirar CO2 da atmosfera para limitar o aquecimento, usando métodos biológicos como impulsionar o crescimento de plâncton ou algas marinhas, ou técnicas químicas e físicas para remover CO2 da água do mar. O carbono extraído poderia ser armazenado em sedimentos do fundo do mar profundo, no leito oceânico, águas profundas do oceano, formações geológicas ou produtos duráveis.
No entanto, os especialistas concluem que essas tecnologias são incertas demais para expansão sem sistemas fortes de monitoramento, relatórios e verificação (MRV). 'Isso se trata de salvaguardar os oceanos para um bem comum. Os oceanos podem fazer parte da solução climática, mas precisamos fortalecer a forma como os protegemos antes de escalar as coisas', disse Muri.
O relatório se alinha com alertas climáticos urgentes. Na Cúpula de Líderes da COP30 em 6 de novembro, o Secretário-Geral da ONU António Guterres observou que um excesso temporário do limite de 1,5°C é inevitável no início dos anos 2030, mas ainda alcançável com ação. As emissões globais de CO2 atingiram 42,4 gigatoneladas em 2024, de acordo com a CICERO.
Para atingir as metas de 1,5°C, emissões líquidas negativas são necessárias, exigindo 5 a 10 gigatoneladas de remoção de CO2 anualmente até o final do século, segundo cenários do IPCC. Setores como aviação e navegação terão emissões residuais que métodos oceânicos podem compensar, mas Muri enfatizou: 'Sabemos como cortar emissões e temos muitos métodos que funcionam. Isso tem que ser a prioridade máxima.'
Desafios incluem verificar quantidades de remoção de carbono, duração do armazenamento no oceano dinâmico e impactos ambientais. Muitas técnicas, como adição de nutrientes para florescimentos de plâncton, permanecem em testes iniciais. Sem MRV e sistemas de credenciamento confiáveis, a escalada arrisca danos não intencionais. 'Nenhum desses métodos está maduro para uso se você não puder verificar impactos ou para onde o carbono vai', acrescentou Muri.
O relatório insta a focar primeiro em reduções de emissões comprovadas, enquanto desenvolve salvaguardas oceânicas. Como Muri colocou, a remoção marinha não é uma 'solução milagrosa oceânica' ainda.