Aviões sauditas bombardearam um carregamento de material militar destinado a separatistas do sul do Iêmen, apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, em uma ofensiva lançada este mês. Essa ação marca a maior escalada entre Riade e Abu Dhabi no conflito iemenita enraizado. O governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita declarou estado de emergência e exigiu a retirada emiratense em 24 horas.
As tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, aliados na coalizão contra os rebeldes houthi no Iêmen desde 2015, aumentaram desde o início de dezembro devido ao apoio emiratense ao Conselho de Transição do Sul (STC). Os separatistas do sul lançaram uma ofensiva este mês no leste do país, capturando duas províncias de fronteira com Omã e Arábia Saudita, incluindo posições na província rica em petróleo de Hadramaut.
Na última sexta-feira, as forças sauditas já haviam realizado ataques de advertência contra posições do STC em Hadramaut. Na terça-feira, 30 de dezembro de 2025, aviões sauditas bombardearam um carregamento de armas e equipamentos militares que chegou ao porto de Mukalla, supostamente dos Emirados via dois navios do porto de Fujairah. O governo iemenita reconhecido internacionalmente, apoiado por Riade, denunciou o carregamento como não autorizado e destinado a abastecer o STC.
Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores saudita alertou que as ações emiratenses representam uma «ameaça à segurança nacional do reino» e «constituem uma linha vermelha», exigindo que Abu Dhabi responda ao pedido iemenita de retirar suas forças em 24 horas e suspenda qualquer apoio militar ou financeiro. O governo iemenita terminou o acordo de defesa conjunto com os Emirados, ordenou que todo o pessoal emiratense se retirasse em 24 horas, declarou estado de emergência por 90 dias renováveis e impôs um bloqueio aéreo, marítimo e terrestre de 72 horas em portos e fronteiras, excluindo os da coalizão.
Os Emirados rejeitaram as acusações, afirmando que o carregamento, previamente coordenado com a coalizão, continha veículos para uso de suas próprias forças e nenhuma arma. O Ministério da Defesa emiratense anunciou a retirada voluntária de todas as suas tropas do Iêmen «à luz dos eventos recentes e possíveis repercussões». Os separatistas do STC descreveram as medidas iemenitas como «ilegais» e alertaram para suas «consequências políticas, legais, de segurança e econômicas», instando a um acordo para evitar maior colapso em um país atolado em guerra civil desde 2014.
Este episódio destaca as divisões dentro da coalizão intervindo no Iêmen contra os houthis xiitas, que derrubaram o governo sunita há mais de uma década. Os separatistas buscam reviver o Estado independente do Iêmen do Sul, que existiu de 1967 a 1990.