Autoridades iranianas e o movimento houthis alinhado ao Irã no Iêmen emitiram novos alertas enquanto o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln da Marinha dos EUA se dirige ao Oriente Médio, um envio descrito pelo presidente Donald Trump como contingência em meio à repressão iraniana a protestos nacionais e tensões regionais crescentes.
O grupo de ataque de porta-aviões da Marinha dos EUA liderado pelo USS Abraham Lincoln foi enviado ao Oriente Médio nos últimos dias, provocando alertas diretos de autoridades iranianas e dos houthis, um grupo armado alinhado ao Irã que controla grande parte do norte do Iêmen. Os houthis circularam um vídeo curto mostrando imagens anteriores de um navio queimando no mar, com a legenda “Em breve”. O grupo não especificou alvo ou prazo, mas a imagem foi amplamente interpretada como ameaça de retomar ataques a navios no corredor do Mar Vermelho, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb. O porta-voz militar houthis, brigada-gen. Yahya Saree, disse que o grupo não ficaria à margem se um conflito se expandisse para incluir Teerã. Em declaração online, ele também disse que os houthis continuariam apoiando o Hamas em Gaza e apoiariam “qualquer país árabe ou islâmico”, descrevendo ações de Israel como apoiadas pelos EUA. O Irã, enquanto isso, emitiu seu próprio alerta. Veículos ligados ao Estado iraniano citaram o porta-voz do Ministério da Defesa, gen. Reza Talaei-Nik, dizendo que qualquer ação militar dos EUA ou Israel traria resposta “mais dolorosa e mais decisiva do que no passado”. Separadamente, autoridades iranianas revelaram um novo mural em um grande outdoor na Praça Enghelab (Revolução) em Teerã mostrando um porta-aviões danificado em meio a sangue e corpos, com o slogan: “Se semeares o vento, colherás o redemoinho”. A Associated Press relatou que a exibição referenciava o USS Abraham Lincoln. As ameaças surgem enquanto o Irã enfrenta agitação generalizada iniciada no final de dezembro, impulsionada principalmente por queixas econômicas. Estimativas independentes de vítimas variam amplamente e são difíceis de verificar em meio a restrições de reportagem e comunicações. Autoridades iranianas divulgaram um número de mortes bem menor que as cifras citadas por ativistas e grupos de direitos humanos, enquanto um apagão prolongado de internet limitou o fluxo de informações. Trump descreveu publicamente o envio como medida precaucional, para manter opções abertas caso os EUA decidam ação militar ligada ao tratamento iraniano a manifestantes, incluindo possibilidade de execuções em massa. O Exército dos EUA não respondeu publicamente às ameaças do Irã ou houthis. Analistas dizem que a presença naval ampliada dos EUA visa dissuasão, em meio a preocupações de que grupos alinhados ao Irã na região possam escalar ataques se tensões com Washington se intensificarem.