O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, disse que as forças dos EUA e Israel seriam “alvos legítimos” se os Estados Unidos atacarem o Irã, enquanto os protestos anti-governo em todo o país entram na terceira semana e ativistas relatam pelo menos 116 mortes e cerca de 2600 detenções em meio a um apagão de internet e comunicações.
Os protestos nacionais que desafiam a teocracia do Irã continuaram na terceira semana, com manifestantes aparecendo em Teerã, Mashhad e outras cidades apesar da pressão de segurança intensificada e limites severos à informação saindo do país. Ativistas da Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, disseram que pelo menos 116 pessoas foram mortas e cerca de 2600 detidas desde o início dos distúrbios em 28 de dezembro de 2025. A verificação independente tem sido difícil porque o Irã impôs um apagão de internet nacional e cortou linhas telefônicas internacionais, de acordo com reportagens de estações membros da NPR. Em Teerã, vídeos circulando online —provavelmente transmitidos usando equipamento de satélite Starlink— pareciam mostrar reuniões noturnas no bairro Punak, com pessoas acenando celulares acesos, batendo em metal e soltando fogos de artifício. Outras imagens supostamente mostravam confrontos com forças de segurança em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã e lar do santuário Imam Reza, com detritos em chamas e lixeiras usadas como barricadas de rua. Cenas semelhantes foram relatadas em Kerman. No Parlamento, o presidente Mohammad Bagher Qalibaf emitiu um aviso direto a Washington e Israel durante uma sessão transmitida ao vivo na TV estatal, enquanto legisladores gritavam “Morte à América”. Qalibaf disse que, se o Irã fosse atacado, Israel —referido por autoridades iranianas como “território ocupado”— e “todos os centros militares americanos, bases e navios na região” seriam considerados “alvos legítimos”. Ele também prometeu punição severa para os detidos e elogiou as forças de segurança do Irã, incluindo a paramilitar Basij. O presidente dos EUA Donald Trump manifestou apoio aos manifestantes nas redes sociais, escrevendo: “O Irã está olhando para a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!” O New York Times e o Wall Street Journal relataram, citando autoridades americanas sem nome, que Trump foi apresentado a opções militares, mas não tomou uma decisão final. O Departamento de Estado dos EUA também emitiu um aviso ao Irã, dizendo: “Não brinquem com o presidente Trump. Quando ele diz que vai fazer algo, ele quer dizer isso”. O Líder Supremo do Irã de 86 anos, aiatolá Ali Khamenei, detém a autoridade final sobre qualquer decisão de escalada militar. As ameaças de Qalibaf vieram enquanto autoridades em Teerã sinalizavam uma repressão mais ampla: o procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, alertou que participantes —ou quem os ajudasse— poderiam ser tratados como “inimigos de Deus”, uma acusação que pode acarretar pena de morte. A TV estatal iraniana exibiu cenas que disse mostrar ruas calmas em algumas cidades e também transmitiu comícios pró-governo, incluindo em Qom e Qazvin. O exército dos EUA disse que permanece posicionado no Oriente Médio com forças capazes de defender pessoal, parceiros e interesses americanos. Separadamente, a Reuters relatou que Israel está em alerta máximo quanto à possibilidade de intervenção dos EUA e que autoridades israelenses realizaram consultas de segurança enquanto os distúrbios no Irã continuam.