O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, alertou que qualquer ataque militar dos EUA acenderia uma guerra regional no Oriente Médio. A declaração ocorre em meio a tensões elevadas após ameaças do presidente Donald Trump contra o Irã por sua repressão a protestos. Khamenei também classificou as manifestações como um golpe, enquanto o Irã prepara exercícios militares no Estreito de Ormuz.
No domingo, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã de 86 anos, emitiu um severo alerta contra agressão potencial dos EUA. Falando em meio a tensões crescentes, ele afirmou que qualquer ataque americano levaria a uma 'guerra regional' no Oriente Médio. Isso segue o envio pelo presidente Trump do porta-aviões USS Abraham Lincoln e navios de guerra acompanhantes para o Mar Arábico, uma medida provocada pela violenta repressão do Irã a protestos nacionais. Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, inicialmente desencadeados pelo colapso da moeda rial do Irã, mas rapidamente evoluindo para um desafio mais amplo à autoridade de Khamenei. Khamenei descreveu os distúrbios como 'um golpe' que foi suprimido, notando ataques a delegacias de polícia, centros governamentais, instalações da Guarda Revolucionária, bancos e mesquitas, incluindo a queima de cópias do Alcorão. Dezenas de milhares foram detidos, com acusações sediciosas que podem acarretar pena de morte—uma preocupação que forma uma das linhas vermelhas declaradas por Trump para possível ação militar, ao lado da morte de manifestantes pacíficos. Khamenei enfatizou a postura defensiva do Irã: 'Não somos os instigadores e não buscamos atacar país algum. Mas a nação iraniana dará um golpe firme a quem a atacar ou assediar.' Enquanto isso, o Irã agendou exercícios militares com tiro ao vivo para domingo e segunda-feira no Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento vital para o comércio global de petróleo. O Comando Central dos EUA alertou contra qualquer ameaça a navios americanos ou interrupções no transporte comercial. Em um desenvolvimento relacionado, o presidente do parlamento iraniano Mohammad Bagher Qalibaf declarou todas as forças militares da União Europeia como grupos terroristas, retaliando a designação da UE da Guarda Revolucionária como organização terrorista. Qalibaf, ex-comandante da Guarda, argumentou que a Guarda tem sido o baluarte da Europa contra o terrorismo, acusando a UE de auto-sabotagem por deferência aos EUA. Legisladores na sessão vestiram uniformes da Guarda e gritaram 'Morte à América!' e 'Morte a Israel!' Trump, falando no sábado a caminho da Flórida, indicou que o Irã está 'falando seriamente' com os EUA sobre um acordo nuclear para evitar o desenvolvimento de armas, embora não haja negociações diretas evidentes publicamente. Alto oficial iraniano Ali Larijani observou progresso em 'arranjos estruturais para negociações', apesar das rejeições anteriores de Khamenei. Isso vem após uma guerra em junho entre Israel e Irã, durante a qual os EUA bombardearam três locais nucleares iranianos, com atividade recente sugerindo esforços de recuperação.