Pesquisadores do Centro RIKEN de Ciência da Matéria Emergente no Japão pioneiraram um método para esculpir dispositivos nanoescala tridimensionais de cristais únicos usando feixes de íons focados. Ao moldar estruturas helicoidais de um cristal magnético, criaram diodos comutáveis que direcionam a eletricidade preferencialmente em uma direção. Essa abordagem geométrica pode possibilitar eletrônicos mais eficientes.
O avanço, detalhado em um estudo publicado em Nature Nanotechnology em 2026, envolve escultura de precisão com um feixe de íons focado para remover material em escalas submicrônicas. Os cientistas fabricaram hélices microscópicas do cristal magnético topológico Co₃Sn₂S₂, composto por cobalto, estanho e enxofre. Essas estruturas minúsculas exibem transporte elétrico não recíproco, atuando como diodos onde a corrente flui mais facilmente em uma direção do que na reversa. Experimentos revelaram que o efeito diodo decorre da dispersão irregular de elétrons ao longo das paredes curvas e quirais das hélices. O comportamento pode ser alternado alterando a magnetização do material ou a quiralidade da hélice. Além disso, pulsos elétricos fortes foram mostrados para reverter a magnetização da estrutura, destacando interações bidirecionais entre forma, eletricidade e magnetismo. Essa técnica supera limitações da fabricação tradicional, que frequentemente degradam a qualidade do material ou restringem opções. Ao possibilitar designs 3D de quase qualquer material cristalino, promete dispositivos menores e mais poderosos para aplicações como conversão CA/CC, processamento de sinais e LEDs. Max Birch, autor principal do estudo, explicou: «Ao tratar a geometria como uma fonte de quebra de simetria em pé de igualdade com propriedades intrínsecas do material, podemos engenhar não reciprocidade elétrica no nível do dispositivo. Nosso novo método de nanoescultura com feixe de íons focado abre uma ampla gama de estudos sobre como geometrias de dispositivos tridimensionais e curvas podem ser usadas para realizar novas funções eletrônicas.» O líder do grupo, Yoshinori Tokura, acrescentou: «De forma mais ampla, essa abordagem possibilita designs de dispositivos que combinam estados eletrônicos topológicos ou fortemente correlacionados com curvatura projetada no regime de transporte balístico ou hidrodinâmico. A convergência da física de materiais e nanofabricação aponta para arquiteturas de dispositivos funcionais com impacto potencial em tecnologias de memória, lógica e sensores.» Os achados sublinham como a forma física pode manipular diretamente o movimento dos elétrons, pavimentando o caminho para inovações impulsionadas pela geometria na eletrônica.