Cientistas do Brasil e de Portugal criaram um nanocompósito magnético que visa células cancerosas ósseas ao mesmo tempo que promove a regeneração óssea. O material usa calor de um campo magnético para destruir tumores e um revestimento bioativo para auxiliar a cicatrização. Esta inovação pode permitir terapias menos invasivas para tumores ósseos.
Investigadores do Brasil e de Portugal conceberam um nanocompósito magnético de núcleo-casca para combater o cancro ósseo e apoiar a reparação tecidular. Publicado em Magnetic Medicine em 2025, o material consiste em nanopartículas de óxido de ferro revestidas com vidro bioativo. Esta estrutura permite-lhe gerar calor sob um campo magnético alternado, permitindo a hipertermia magnética para ablacionar seletivamente células tumorais sem danos generalizados ao tecido saudável. A camada de vidro bioativo melhora a integração do material com o osso. Em testes com fluido corporal simulado, os nanocompósitos formaram rapidamente apatite, um mineral semelhante ao dos ossos naturais, indicando forte potencial para ligação e regeneração. Entre várias formulações, a com elevado teor de cálcio destacou-se, mostrando a mineralização mais rápida e propriedades magnéticas mais robustas. «Os nanocompósitos magnéticos bioativos são muito promissores para a terapia do cancro ósseo porque podem ablacionar tumores através de hipertermia magnética e apoiar o crescimento de novo osso simultaneamente», afirmou a autora principal, Dra. Ângela Andrade. Ela destacou o desafio superado: alcançar tanto alta magnetização como bioatividade num único material. Além disso, Andrade observou: «Entre as formulações testadas, a com maior teor de cálcio demonstrou a taxa de mineralização mais rápida e a resposta magnética mais forte, tornando-a um candidato ideal para aplicações biomédicas.» Esta abordagem de dupla função aborda tanto a eliminação de tumores como a recuperação estrutural num único procedimento. «Este estudo fornece novas perspetivas sobre como a química superficial e a estrutura influenciam o desempenho de biomateriais magnéticos», acrescentou Andrade, sugerindo vias para ferramentas clínicas mais seguras e eficazes em oncologia e medicina regenerativa. O trabalho, detalhado por autores incluindo Andreia Batista e José Domingos Fabris, aparece em Magnetic Medicine (2025; 1(3):100039). Representa um passo em direção a nanomateriais multifuncionais para tratamentos minimamente invasivos do cancro ósseo.