Tempestades solares representam risco crescente para satélites Starlink da SpaceX

Um estudo sobre uma tempestade solar de maio de 2024 revela disrupções significativas na constelação Starlink da SpaceX, incluindo quedas de altitude e interrupções na rede. Pesquisadores alertam que, com o aumento do número de satélites, as ameaças da atividade solar podem piorar, potencialmente levando a colisões e falhas de comunicação. As descobertas destacam vulnerabilidades durante o ciclo de atividade solar de 11 anos.

O número de satélites em órbita ultrapassou 10.000 pela primeira vez na história, com a megaconstelação Starlink da SpaceX representando uma grande parte. Desde maio de 2019, a SpaceX lançou mais de 10.000 satélites Starlink, embora cerca de 1.000 tenham reentrado na atmosfera da Terra a uma taxa de um ou dois por dia. Esses satélites formam uma malha global a cerca de 550 quilômetros de altitude, tornando-os suscetíveis a tempestades solares e às perturbações geomagnéticas resultantes.

Em maio de 2024, durante uma tempestade solar moderada, pesquisadores liderados por Eunju Kang da University of California, Irvine, analisaram dados de rastreamento públicos. Eles observaram que satélites no lado voltado para o sol da Terra experimentaram quedas de altitude de até meio quilômetro devido ao arrasto atmosférico da radiação solar. Regiões próximas aos polos da Terra e à Anomalia do Atlântico Sul — onde o campo magnético é mais fraco — viram efeitos ainda maiores, à medida que partículas carregadas foram canalizadas de forma mais intensa.

Essa disrupção criou uma onda 'ondulante' em cascata pela constelação. 'Se um satélite perde sua altitude, o satélite vizinho também teria que compensar', explicou Kang, usando propulsores iônicos para manter links de comunicação baseados em laser. 'É como ondas', acrescentou a membro da equipe Sangeetha Abdu Jyothi. Tal imprevisibilidade aumenta os riscos de colisão para outras naves espaciais. 'Quando temos menos previsibilidade de trajetórias, isso pode aumentar o risco de colisões', observou Abdu Jyothi.

Os impactos na rede também foram evidentes, com dados do RIPE Atlas mostrando picos em perda de pacotes e interrupções. 'Houve um pico imediato em perda de pacotes', disse Kang. Essa tempestade foi cerca de três vezes mais fraca que o Evento Carrington de 1859, mas ecoou um incidente de fevereiro de 2022 que destruiu 40 satélites Starlink recém-lançados.

Especialistas preveem que os desafios se intensificarão com o próximo pico de atividade solar na década de 2040, quando dezenas ou centenas de milhares de satélites adicionais poderiam orbitar. 'O problema aumenta quanto mais satélites você tem', disse Scott Shambaugh da Leonid Space. Modelos preditivos para arrasto de curto prazo permanecem inadequados, e subtempestades — pequenas variações atmosféricas — são particularmente difíceis de prever, de acordo com Mathew Owens da University of Reading. A escala do Starlink agora serve como uma vasta rede de sondas para estudar esses efeitos.

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