África do Sul aproxima-se de uma fase de apatia política

A África do Sul está a registar um aumento da apatia política, marcado pela descida da participação eleitoral apesar de eleições competitivas e necessidades nacionais urgentes. Escândalos de corrupção em todos os grandes partidos estão a erodir a confiança pública, podendo minar a legitimidade do governo. Esta tendência pode empoderar setores privados, ONGs e outros grupos para preencher o vazio deixado por um Estado descomprometido.

O interesse público na política sul-africana tem diminuído ao longo dos anos, com a verdadeira participação eleitoral – a proporção de eleitores elegíveis que efetivamente votam – a cair em eleições sucessivas. Apesar de um panorama mais competitivo desde 1999, quando o African National Congress (ANC) enfrentava pouca oposição, as coligações imprevisíveis de hoje e problemas prementes, como a viabilidade de Joanesburgo, não inverteram a tendência. As evidências apontam para mais descidas nas eleições de 2026.

Os grandes partidos enfrentam crises de credibilidade. O ANC continua sinónimo de corrupção, com figuras como David Mahlobo e Malusi Gigaba a representá-lo, e o vice-presidente da câmara de Tshwane, Eugene Modise, ligado a pagamentos de uma empresa de segurança contratada pela cidade. O escândalo Phala Phala do Presidente Cyril Ramaphosa persiste, com um acórdão pendente do Tribunal Constitucional sobre o tratamento pelo Parlamento das recomendações de um painel independente. O partido uMkhonto weSizwe está atolado em conflitos internos, incluindo a alegada implicação da ex-deputada Duduzile Zuma-Sambudla no recrutamento de familiares para combater na Ucrânia pela Rússia. Os Economic Freedom Fighters perderam ímpeto, enquanto a Democratic Alliance lida com relatos de uso indevido de um cartão de crédito do partido pelo líder John Steenhuisen e disputas sobre a remoção do membro do Gabinete Dion George.

As diferenças raciais na participação eleitoral persistem: na última eleição nacional, 73 % dos eleitores brancos participaram, contra 55 % dos eleitores negros. À medida que o desencanto cresce, menos cidadãos veem opções viáveis, enfraquecendo a autoridade do governo. Este vácuo permite que empresas privadas forneçam serviços como eletricidade e logística, que ONGs e grupos comunitários gerenciem instalações e que grupos vigilantes lidem com a segurança local. De forma perturbadora, líderes religiosos corruptos como Shepherd Bushiri, que fugiu para o Malawi após roubar milhões, Timothy Omotoso, condenado por violação e abuso, e Alph Lukau, conhecido por alegações falsas de ressurreição, ganham influência ao oferecer esperança em meio a falhas estatais. Um governo mais fraco, notam analistas, prejudica desproporcionalmente os pobres.

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