Um novo estudo revela que as mudanças climáticas estão tornando as maiores tempestades de granizo da Europa mais severas, com pedras de granizo maiores se formando devido a temperaturas mais quentes. Pesquisadores analisaram dados da tempestade de granizo recorde de 2023 no norte da Itália, onde granizo de até 15 centímetros caiu. As descobertas destacam como o aumento da umidade atmosférica está alimentando esses eventos climáticos extremos.
Em agosto de 2023, a aldeia de Vivaro, no norte da Itália, experimentou uma das tempestades de granizo mais intensas da Europa já registradas. Pedras de granizo medindo até 15 centímetros de diâmetro — maiores que bolas de tênis — caíram, causando danos significativos a casas, veículos e colheitas. Este evento, documentado em um estudo publicado na Nature Climate Change, serve como um exemplo gritante de como as mudanças climáticas estão superpotenciando a formação de granizo em todo o continente.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Zurique e do Instituto de Ciência Atmosférica e Climática na Suíça, examinou eventos de granizo na Europa ao longo das últimas quatro décadas. Eles descobriram que as maiores pedras de granizo aumentaram de tamanho em cerca de 10% desde a década de 1980. 'Nossa análise mostra que as mudanças climáticas já tornaram as maiores tempestades de granizo na Europa mais intensas', disse a autora principal Maria Elison, pesquisadora na Universidade de Zurique. O estudo atribui essa tendência a temperaturas mais altas, que permitem que a atmosfera retenha mais umidade — até 7% mais por grau de aquecimento, de acordo com a relação de Clausius-Clapeyron.
O granizo se forma quando fortes correntes ascendentes em tempestades carregam gotas de água para o alto na atmosfera congelante, onde elas acumulam camadas de gelo. Em um clima mais quente, essas correntes podem ser mais poderosas, e o aumento da umidade fornece mais material para o crescimento do granizo. A tempestade de Vivaro, que ocorreu em 24 de agosto de 2023, produziu granizo que pesava até 1 quilograma cada, de acordo com relatos de testemunhas e dados meteorológicos. As autoridades locais relataram danos superiores a 10 milhões de euros, incluindo telhados destruídos e campos inundados.
O estudo também analisou outros grandes eventos de granizo na Europa, como os na Alemanha e na França nos últimos anos, confirmando um padrão de escalada na severidade no Centro e Sul da Europa. Embora eventos menores de granizo possam não mostrar tendências claras, os extremos estão se tornando mais frequentes e destrutivos. 'Isso é um chamado de alerta para provedores de seguros e planejadores urbanos', acrescentou Elison, enfatizando a necessidade de melhor preparação.
O contexto mais amplo sublinha as implicações: as regiões da Europa propensas a granizo, particularmente os Alpes e o Vale do Po, estão aquecendo mais rápido que a média global. A pesquisa utiliza dados de radar, modelos meteorológicos e registros históricos para isolar sinais climáticos da variabilidade natural. Nenhuma tempestade individual pode ser atribuída unicamente às mudanças climáticas, mas o estudo usa ciência de atribuição para quantificar como o aquecimento induzido pelo homem torna tais eventos mais prováveis — até 20% para o maior granizo em alguns cenários.
À medida que a Europa enfrenta um clima mais volátil, as descobertas instam esforços mais fortes de mitigação para conter as emissões de gases de efeito estufa. Políticos e comunidades em áreas vulneráveis a granizo podem precisar investir em infraestrutura resiliente, desde telhados resistentes a granizo até sistemas avançados de alerta precoce.