A controvérsia sobre a cirurgia de quadril acelerada para a mãe da ministra da Saúde Ximena Aguilera no Hospital del Salvador cresceu, com relatos de pacientes adiados, incluindo um que morreu. Parlamentares da oposição exigem investigações sobre possível tráfico de influência. O Ministério da Saúde recusou-se a comentar o caso.
A controvérsia surgiu na segunda-feira quando o La Tercera revelou que a mãe da ministra da Saúde Ximena Aguilera passou por uma cirurgia de fratura de quadril no Hospital del Salvador em menos tempo do que o usual para tais procedimentos. Os registros hospitalares anotam como decisão administrativa, com testemunhos de usuários alegando tratamento desigual na instalação pública.
O caso ganhou peso político quando a UDI anunciou que recorreria ao Contralor Geral da República para reunir provas, solicitando convocações da ministra e do diretor do hospital perante a Câmara dos Deputados e a Comissão de Saúde dos Deputados.
Novos detalhes surgiram na véspera de Ano Novo via Canal 13, que acessou documentos internos mostrando que um paciente de laparotomia —abertura cirúrgica abdominal— foi adiado para priorizar a cirurgia da mãe da ministra, e morreu três dias depois. O senador Juan Luis Castro (PS), da Comissão de Saúde do Senado, afirmou que «parece que havia 11 pacientes na mesma condição precisando de uma prótese de quadril, esperando a mesma intervenção».
Em resposta, o deputado Andrés Celis (RN) anunciou que apresentará queixa ao Ministério Público por suposto tráfico de influência: «Novas provas continuam surgindo todos os dias... Não pode ser que cirurgias semelhantes para onze pessoas fossem adiadas». O deputado Agustín Romero (Republicano) enfatizou a necessidade de «uma revisão institucional profunda e transparente». Do lado do governo, o deputado Héctor Barría (DC) disse que «não é a melhor forma de começar o ano» e aguardam detalhes do Contralor.
O deputado UDI Daniel Lilayu criticou que «novas provas contradizem categoricamente a versão inicial», instando o Ministério Público a investigar, especialmente dado o falecimento do paciente. O senador Castro pediu esclarecimentos sobre a situação, incluindo um caso de laparostomia, e esperou um «relatório de auditoria médica» com o log de eventos.
A bancada republicana exige a renúncia da ministra. O deputado Luis Fernando Sánchez afirmou: «Parece totalmente inaceitável... a ministra deve renunciar hoje diante de um caso tão grave». O Ministério da Saúde recusou-se a se pronunciar sobre o assunto.