O mandato de Jerome Powell como presidente da Reserva Federal termina em maio de 2026, abrindo a porta para maior influência de Donald Trump sobre o banco central. O presidente eleito criticou duramente Powell e busca nomear um sucessor leal, ameaçando a independência da instituição. Analistas esperam até três cortes de juros este ano se a inflação arrefecer.
A Reserva Federal dos EUA inicia 2026 enfrentando um desafio sem precedentes à sua autonomia, impulsionado pelas pressões de Donald Trump. Powell, nomeado por Trump em 2018 para suceder Janet Yellen, resistiu aos ataques do presidente, que o acusa de não cortar os juros rápido o suficiente para estimular a economia, ignorando riscos como inflação induzida por tarifas ou uma bolha de IA.
Trump ameaçou demitir Powell, citando até ultrapassagens no orçamento da renovação do edifício Marriner S. Eccles, sede da Fed, embora assessores tenham alertado para a falta de base legal. Powell poderia permanecer como governador até 2028, emulando Marriner S. Eccles, que resistiu às interferências de Harry Truman nos anos 1940 e ajudou a solidificar a independência do banco central.
O sucessor de Powell será anunciado antes do final de janeiro. Candidatos incluem Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional e leal a Trump; Kevin Warsh, ex-governador; e Christopher Waller, membro atual do conselho desde 2020. Investidores duvidam de Hassett devido à sua lealdade, que poderia comprometer a neutralidade.
Trump já colocou aliados no Comitê de Mercado Aberto Federal (FOMC), órgão de 12 membros responsável pela política monetária. Nomeou três no primeiro mandato e agora Stephen Miran, ex-chefe do escritório econômico da Casa Branca. Além disso, um caso na Suprema Corte no final de janeiro decidirá se Trump pode demitir a governadora Lisa Cook, nomeada por Biden e acusada sem provas de irregularidades em hipotecas.
«Se a Corte decidir a favor de Trump, ele e todos os futuros presidentes teriam muito maior controle sobre a Reserva Federal», alerta Christopher Hodge, economista-chefe da Natixis. Na política monetária, Powell sugeriu uma pausa na reunião de final de janeiro, mas analistas como Bruce Kasman da JP Morgan esperam um corte dependendo do relatório de empregos de dezembro. Veronica Clark da Citi prevê 75 pontos-base de cortes se a inflação arrefecer.