O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy usou um discurso em Davos na quinta-feira para instar os países europeus a fortalecerem a sua própria postura de segurança, argumentando que a Europa arrisca parecer “perdida” se se concentrar em tentar influenciar o presidente dos EUA Donald Trump em vez de construir uma capacidade militar credível para dissuadir a Rússia e outras ameaças.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy discursou no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, na quinta-feira, após reunir-se privadamente com o presidente dos EUA Donald Trump à margem do encontro. A reunião Trump-Zelenskyy realizou-se à porta fechada e foi descrita publicamente como positiva por ambos os líderes. Trump disse aos jornalistas depois que a reunião foi “boa”, enquanto Zelenskyy caracterizou as conversações como “produtivas e significativas”, de acordo com reportagens de grandes órgãos de comunicação. Nas suas declarações em Davos, Zelenskyy criticou o que apresentou como o hábito da Europa de esperar que Washington defina a direção em matérias de segurança. Disse que a Europa parecia “perdida” e argumentou que o continente ainda se sentia “mais como uma geografia, história, uma tradição, não uma força política real, não uma grande potência”. Zelenskyy comparou os seus avisos repetidos a um ciclo de “Groundhog Day”—referindo o filme de 1993—em que disse ter sido obrigado a repetir a mesma mensagem. “Só no ano passado, aqui em Davos, terminei o meu discurso com as palavras: A Europa precisa de saber defender-se. Passou um ano. E nada mudou”, disse. Instou os governos europeus a acelerarem o gasto em defesa e a capacidade industrial, e pressionou-os a tomarem medidas mais duras contra a chamada “frota sombra” de petroleiros russos que ajuda Moscovo a continuar a exportar petróleo apesar das sanções. Em declarações transmitidas por órgãos ucranianos, Zelenskyy argumentou que o petróleo russo transportado perto das costas europeias continua a financiar a guerra contra a Ucrânia e a contribuir para a instabilidade na Europa, e sugeriu que a Europa deve estar preparada para parar e confiscar tais envios. Zelenskyy apontou também as ações recentes dos EUA contra o comércio de petróleo sancionado da Venezuela como contraste. Vários órgãos reportaram que as autoridades americanas apreenderam pelo menos um petroleiro ligado a petróleo venezuelano sancionado em dezembro de 2025. Zelenskyy referiu estas medidas ao questionar por que a Europa não podia agir com resolução semelhante contra navios que transportam petróleo russo. Em separado, Zelenskyy criticou o que descreveu como uma presença militar europeia simbólica ligada à Gronelândia, dizendo que enviar “30 ou 40 soldados” para exercícios não dissuadiria adversários principais. “Que mensagem envia isso a Putin? À China? E ainda mais importante, que mensagem envia à Dinamarca?”, perguntou, argumentando que a Europa deve estabelecer defesas credíveis para regiões estratégicas ou arriscar não ser levada a sério. Zelenskyy voltou a sugerir a ideia de uma integração militar europeia mais profunda, chamando por “forças armadas unidas” capazes de defender a Europa. Advert iu também contra a sobredependência de suposições sobre a liderança dos EUA numa crise, argumentando que a Europa precisa estar preparada para agir de forma decisiva mesmo se as prioridades de Washington mudarem.