O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e os seus aliados europeus estão a tentar persuadir os enviados de Donald Trump a suavizar as concessões potenciais à Rússia nas negociações sobre a Ucrânia. Num encontro em Berlim, Zelensky indica disponibilidade para renunciar à adesão à NATO em troca de garantias de segurança equivalentes ao Artigo 5 da NATO. As discussões centram-se na prevenção de um acordo entre Trump e Putin que marginalize a Ucrânia e a Europa.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky encontrou-se no domingo em Berlim com o chanceler alemão Friedrich Merz e os enviados de Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, no sentido de limitar as concessões que o futuro líder dos EUA possa fazer à Rússia no conflito da Ucrânia. Falando aos jornalistas antes de chegar à capital alemã, Zelensky expressou abertura para aceitar proteções aliadas equivalentes ao Artigo 5 da NATO, que obriga os membros a defenderem-se mutuamente contra ataques, em vez da adesão imediata à Aliança. Indicou também disponibilidade para considerar uma zona desmilitarizada na região do Donbass, amplamente ocupada pela Rússia, mas apenas se a Europa e os Estados Unidos fornecerem garantias de segurança para prevenir futuras invasões como as de 2014 e 2022.
As capitais europeias descrevem estes como « dias decisivos », temendo que Trump, que visa anunciar um acordo de paz antes do Natal, e o presidente russo Vladimir Putin cheguem a um entendimento que exclua a Ucrânia e os seus aliados. Merz, em funções desde maio, assume um papel de liderança na Europa, comparando as ambições de Putin às de Adolf Hitler em 1938 num discurso proferido no sábado em Munique. « Se a Ucrânia cair, não parará por aí », avisou Merz.
O primeiro dia de reuniões decorreu entre o hotel Adlon e a chancelaria federal, interrompido durante a noite e retomado na segunda-feira com líderes como Emmanuel Macron, Keir Starmer e Giorgia Meloni. O encontro precede uma decisão da UE na quinta-feira sobre o uso de ativos russos congelados para apoiar a Ucrânia. Witkoff, próximo de Putin e sem experiência diplomática, gera desconfiança devido ao seu plano inicial de 28 pontos, desenvolvido com Kirill Dmitriev, que exigia concessões territoriais drásticas e limites à defesa ucraniana, embora posteriormente suavizado. A sua participação, ao lado de Kushner, sinaliza o empenho dos EUA nas negociações, após o papel deles no cessar-fogo em Gaza.