O Senado do Chile votará em 10 de novembro sobre a acusação constitucional contra o juiz Antonio Ulloa por seus laços com a rede de influência do advogado Luis Hermosilla. A aprovação requer 26 votos, mas ausências devido a campanhas eleitorais e possíveis abstenções podem descarrilar a medida. O deputado Daniel Manouchehri alertou sobre uma possível manobra para evitar o quórum.
A acusação constitucional contra o juiz Antonio Ulloa da Corte de Apelações de Santiago foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 29 de outubro com 141 votos a favor, duas abstenções e uma rejeição. Na terça-feira, durante a sessão plenária do Senado, foi dada ciência da aprovação, e a votação do libelo foi agendada para segunda-feira, 10 de novembro, interrompendo a semana de recesso de trabalho territorial, conforme o artigo 48 da Lei Orgânica Constitucional do Congresso.
Para declarar Ulloa culpado, são necessárias 26 votos na Câmara Alta. No entanto, a situação gera incerteza: vários senadores podem estar ausentes devido à reta final da campanha parlamentar ou dificuldades de viagem a Valparaíso. O deputado Daniel Manouchehri (PS), que liderou a apresentação do libelo, alertou em uma postagem no X: “Atenção: no Senado, a jogada para salvar o juiz Antonio Ulloa é não dar quórum. A acusação será votada em 10 de novembro. Ninguém em campanha vai votar contra… mas podem 'adoecer'”. Ele acrescentou: “Diferente da Câmara, aqui são requeridos 26 votos: se faltarem, vence a impunidade. Ulloa tem contatos no Senado e a rede de Hermosilla vai operar. É um dever que todos os senadores se apresentem e votem de frente, senão que respondam perante o Chile”.
As dúvidas se concentram na bancada da UDI, onde alguns podem se abster, similar ao deputado Sergio Bobadilla na Câmara. No julgamento anterior contra a ex-ministra da Suprema Corte Ángela Vivanco, ligada à mesma rede, os senadores Francisco Chahuán (RN), Paulina Núñez (RN) e Loreto Carvajal (PPD) não votaram. Carvajal declarou: “meu papel como senadora é me pronunciar uma vez que conheça os antecedentes”. Chahuán está considerando se recusar devido a laços familiares com o Judiciário, enquanto Núñez confirmou que comparecerá e votará.
Além disso, conversas entre Hermosilla e Ulloa mencionam Rafael Prohens (RN) e Yasna Provoste (DC) por gestões de votações anteriores. Prohens prefere não comentar para evitar recusa. Provoste respondeu: “Não me responsabilizo pelas falsidades dessas pessoas. Não me assiste nenhuma causa de inabilitação, pois não tenho nem tive vínculos com os envolvidos”, referindo-se a uma carta enviada ao Ciper negando as influências de Ulloa.