Um motorista da embaixada da Argélia em Brasília denunciou uma tentativa de agressão pelo embaixador Abdelaziz Benali Cherif após ser impedido de comparecer a uma consulta médica relacionada a um diagnóstico de câncer. O incidente, ocorrido em 2 de fevereiro, está sob investigação da Polícia do Distrito Federal e gerou denúncias ao Ministério Público do Trabalho por assédio moral e suspensões injustas.
O motorista Ulysses Souza de Araujo, funcionário da embaixada há 25 anos, informou ao embaixador em 2 de fevereiro que precisava se ausentar para uma consulta médica importante, relacionada a um diagnóstico de carcinoma de células, um tipo de câncer. Ele havia removido um tumor no tórax em janeiro, e o agendamento foi feito considerando que o embaixador não tinha compromissos oficiais naquele dia. Apesar do aviso prévio, Cherif proibiu a saída de Ulysses.
Ao insistir em seu direito e deixar as chaves do veículo na mesa do embaixador, Ulysses foi impedido fisicamente. Segundo a ocorrência policial, Cherif se exaltou e partiu para agredi-lo, sendo contido por dois diplomatas. A esposa de Ulysses, Jeahnny Ribeiro Thomas de Araujo, relatou que o embaixador disse: “Lei brasileira para mim não vale nada, aqui o que vale é a minha lei”.
O caso motivou uma investigação da Polícia do Distrito Federal (PCDF). Ulysses recebeu uma suspensão em 3 de fevereiro por “falta de respeito com o embaixador”. Abalado, ele procurou um psiquiatra e obteve um atestado de 10 dias a partir de 5 de fevereiro, mas foi barrado de entrar na embaixada para entregá-lo, enviando-o pelos Correios. Durante o período, recebeu advertências por “abandono de emprego”.
Ao retornar, Ulysses enfrentou restrições: ficava do lado de fora do portão e não podia levar o celular para dentro. Ele denunciou agressões verbais frequentes e um ambiente de trabalho insuportável em uma carta à embaixada. O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga assédio moral e suspensões.
A advogada Patrícia Helena Kuwabara tentou notificar a embaixada sobre uma ação de rescisão indireta do contrato, mas foi barrada por um segurança, que alegou ordens para não receber documentos relacionados a Ulysses. Ela argumenta que, apesar da imunidade diplomática pela Convenção de Viena, questões trabalhistas com funcionários locais podem ser analisadas judicialmente.