O ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi determinada após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A defesa classificou a prisão como 'indevida e desnecessária'.
Rodrigo Bacellar foi detido em sua mansão em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, e levado para a superintendência da Polícia Federal, de onde será transferido para o sistema penitenciário federal. Esta é a segunda prisão do ex-deputado no mesmo inquérito, após cinco dias detido em dezembro de 2025, quando a Alerj revogou a medida por ele ainda ser deputado.
A prisão preventiva foi decretada de ofício por Alexandre de Moraes, sem pedido do Ministério Público ou da Polícia Federal, justificando que a cassação do mandato de Bacellar pelo TSE na terça-feira, 24 de março, extinguiu o efeito da decisão da Alerj. O TSE cassou o mandato por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, no mesmo julgamento que condenou o ex-governador Cláudio Castro (PL). Moraes argumentou que a prisão é necessária 'em face da conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal, bem como a ordem pública'.
Bacellar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação na Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 contra o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Segundo a denúncia, Bacellar alertou TH Joias sobre a operação, levando-o a trocar de celular, esvaziar gabinete na Alerj e casa, destruindo provas. Mensagens recuperadas mostram proximidade entre Bacellar, TH Joias e o desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2, afastado das funções. A investigação integra a força-tarefa Missão Redentor II, da PF no Rio, originada da 'ADPF das Favelas' no STF.
Bacellar usava tornozeleira eletrônica e cumpria medidas cautelares. Recentemente, não foi localizado em sua residência na zona sul do Rio para notificação da denúncia, mas a defesa informou que estava em Teresópolis. Seus advogados Daniel Bialski e Roberto Podval emitiram nota: 'Nosso cliente vinha cumprindo fiel e completamente todas as medidas cautelares impostas' e anunciarão recursos contra a prisão.