A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) votou pela soltura do presidente da Casa, deputado Rodrigo Bacellar (União), preso na quarta-feira (3) por suspeita de vazamento de operação policial. Dos 65 deputados que votaram, 42 foram favoráveis, superando o mínimo de 36 necessários. A decisão será comunicada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que pode impor medidas alternativas à prisão.
Rodrigo Bacellar foi preso pela Polícia Federal em 3 de dezembro de 2025, por ordem de Alexandre de Moraes, do STF, sob suspeita de envolvimento no vazamento de uma operação que resultou na prisão do ex-deputado TH Joias, em setembro. TH Joias, expulso do MDB após a detenção, é acusado de intermediar a compra e venda de drogas, armas e equipamentos para o Comando Vermelho.
Na véspera da prisão de TH, ele se comunicou com Bacellar por um celular novo e, na manhã seguinte, enviou fotos em tempo real do cumprimento do mandado na residência para o presidente da Alerj. A defesa de Bacellar nega qualquer participação no vazamento.
Nesta segunda-feira (8), a Alerj realizou a votação secreta: 42 deputados favoráveis à soltura, 21 pela manutenção da prisão, duas abstenções e quatro ausências. A Constituição Federal, em seu artigo 53, permite que assembleias legislativas revoguem prisões de parlamentares, conforme decisão do STF em 2019 que estendeu imunidades aos deputados estaduais.
A notificação ao STF deve ocorrer até terça-feira, e a soltura não tem data definida. Moraes pode determinar medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte ou proibição de contatos.
Não há consenso sobre Bacellar reassumir a presidência, eleita por unanimidade no início do ano. Parlamentares da base aliada, como Alexandre Knoploch (PL), defenderam a decisão, afirmando que 'não faz o menor sentido' ligar Bacellar à facção e isolando o caso de TH Joias. 'Jogar culpa em Rodrigo Bacellar e na direita é brincadeira', disse Knoploch.
Opositores, como Flávio Serafini (PSOL), que votou contra a soltura, criticaram a votação como 'corporativa'. 'Tudo o que envolve o TH Joias era muito evidente, e o presidente ficou em contato com ele durante todo o dia e que ele obstruiu a justiça, destruiu provas', afirmou Serafini.
O caso envolve o governador Cláudio Castro (PL), mencionado na decisão de Moraes por exoneração de Rafael Picciani para evitar votação sobre a prisão de TH. Castro afirma que a exoneração foi planejada antes.