A indicação do advogado-geral da união, jorge messias, para o supremo tribunal federal pelo presidente lula gerou tensões com o senado, contrariando o desejo do presidente da casa, davi alcolumbre, por rodrigo pacheco. Alcolumbre criticou a demora no envio oficial da nomeação e negou negociações de cargos, enquanto o governo repele insinuações de fisiologismo. A sabatina de messias está marcada para 10 de dezembro, em meio a debates sobre autocontenção judicial.
A nomeação de jorge messias ao stf, anunciada em 20 de novembro de 2025, desafia o plano de autocontenção e distanciamento político defendido pelo presidente da corte, edson fachin, ao assumir o cargo em setembro. Fachin enfatizou: 'Ao direito o que é do direito. À política o que é da política', e destacou que 'a prestação jurisdicional não é espetáculo. Exige contenção.'
A escolha contrariou davi alcolumbre (união brasil-ap), que preferia o senador rodrigo pacheco (psd-mg). Após o anúncio, o senado aprovou um projeto de custo bilionário sobre aposentadoria de agentes de saúde, e alcolumbre marcou a sabatina para 10 de dezembro, apesar da demora no envio oficial da mensagem presidencial ao senado. O governo planeja que lula entregue o documento pessoalmente ao presidente do senado.
Alcolumbre divulgou nota em 30 de novembro criticando setores do executivo por tentarem criar 'falsa impressão' de resoluções por cargos e emendas, chamando isso de 'método antigo de desqualificação'. Aliados dizem que ele está indignado com acusações de pedir presidências de instituições como banco do brasil, caixa e cvm em troca da aprovação de messias. A ministra gleisi hoffmann (pt-pr) elogiou alcolumbre e negou qualquer 'fisiologismo', afirmando respeito à independência do legislativo.
O senador sergio moro (união brasil-pr) apoiou alcolumbre no x: 'Ao presidente da república cabe indicar e ao senado cabe aprovar ou rejeitar o nome indicado ao stf. Simples assim. Minha solidariedade ao presidente @davialcolumbre contra a campanha de desqualificação promovida por setores do executivo contra a independência do senado.'
Especialistas veem o histórico de messias, incluindo sua criação da procuradoria de defesa da democracia na agu em 2023 – criticada como 'ministério da verdade' pela oposição –, como sinal de conforto com o judiciário em políticas públicas. Luiz fernando esteves, do insper, alerta para possível tensão política. Thiago filippo, da uerj, argumenta que a politização está mais na dinâmica entre poderes. Álvaro palma jorge, da fgv, nota que a indicação não é incompatível com contenção, citando a tese de doutorado de messias sobre o papel do judiciário na agenda governamental pós-1988.
Messias ganhou notoriedade em 2016 como 'bessias' em áudio da lava jato entre lula e dilma rousseff, interpretado por gilmar mendes como tentativa de obstruir investigações.