O ministro Alexandre de Moraes, do STF, reabriu o processo contra o ex-deputado Alexandre Ramagem por crimes relacionados ao 8 de janeiro, após a cassação de seu mandato. Ramagem, condenado a mais de 16 anos de prisão por trama golpista e foragido nos EUA, criticou a PF pela prisão de um suposto ajudante em sua fuga. O Brasil solicitou sua extradição às autoridades americanas.
Alexandre Ramagem, ex-deputado federal pelo PL-RJ e ex-diretor da Abin, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos e um mês de prisão em setembro de 2025 por participação em organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Após a condenação, ele fugiu do Brasil, viajando de Boa Vista (RR) de forma clandestina para Miami, nos Estados Unidos, onde vive com a família desde novembro.
Em 18 de dezembro de 2025, Ramagem e o correligionário Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tiveram seus mandatos cassados pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, sob presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), atendendo a determinação do ministro Alexandre de Moraes. Com a perda do mandato, Moraes reabriu na segunda-feira, 22 de dezembro, o processo contra Ramagem pelos crimes ocorridos após sua diplomação, incluindo dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.
A decisão suspendia o julgamento enquanto Ramagem era deputado, mas agora determina audiências de instrução com oitiva de testemunhas de acusação e defesa, marcadas para 5 de fevereiro de 2026. Moraes também ordenou o início do cumprimento da pena e a extradição, com o pedido encaminhado pelo Ministério da Justiça ao Itamaraty.
Na mesma data, a Câmara cancelou os passaportes diplomáticos de Ramagem e Eduardo Bolsonaro, embora isso não afete imediatamente sua permanência nos EUA, conforme fontes diplomáticas americanas. Ramagem negou ter recebido ajuda para fugir em postagem no X, criticando a PF pela prisão de Celso Rodrigo de Mello, filho do garimpeiro Rodrigo Cataratas, suspeito de auxiliá-lo. 'A perseguição institucional que me levou ao exílio continua a se legitimar pela expansão criativa de imputações para perseguir inocentes', escreveu ele, anexando um vídeo intitulado 'Criatividade para condenar inocentes'.