Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal condenado por trama golpista, foi preso no Paraguai ao tentar fugir para El Salvador com passaporte falso e transferido para a Papudinha, em Brasília. A Justiça manteve prisões domiciliares de outros réus para evitar fugas semelhantes. O ministro Alexandre de Moraes justificou as medidas citando o risco de evasão como modus operandi da organização.
Silvinei Vasques, condenado a mais de 24 anos de prisão pela Primeira Turma do STF por participação na trama golpista, violou medidas cautelares em Santa Catarina na véspera de Natal. Ele rompeu a tornozeleira eletrônica por volta das 3h de 25 de dezembro e dirigiu um carro alugado para o Paraguai, levando pertences e seu cachorro pitbull. No Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, foi detido na madrugada de 26 de dezembro ao tentar embarcar para El Salvador via Panamá, usando um passaporte falso em nome de Julio Eduardo Fernandez, se passando por cidadão paraguaio. Ele carregava uma carta alegando câncer cerebral e necessidade de tratamento médico para justificar a viagem.
A Polícia Federal brasileira monitorava a tentativa, alertada pela violação do equipamento. Após prisão pelas autoridades paraguaias em Ciudad del Este, Vasques foi entregue à PF em Foz do Iguaçu na noite de 26 de dezembro. Ele decolou de lá por volta das 10h de 27 de dezembro e chegou a Brasília às 13h15, sendo transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar (Papudinha) às 16h30. Lá, divide cela com o ex-ministro Anderson Torres, em uma unidade com capacidade para quatro, equipada com geladeira, chuveiro de água quente, TV e cinco refeições diárias. O ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva por descumprimento das cautelares.
Em resposta, Moraes ordenou prisões domiciliares com tornozeleira para dez réus da trama, incluindo Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, e militares como Ângelo Denicoli e Bernardo Romão Corrêa Netto. Eles devem entregar passaportes, evitar contatos e redes sociais. Dois não foram localizados inicialmente: Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, considerado foragido após mudança de endereço em São Paulo; e Guilherme Marques de Almeida, que viajou à Bahia mas prometeu cumprir a medida em Goiânia. Uma juíza auxiliar manteve oito prisões após audiências de custódia. Moraes citou fugas como a de Alexandre Ramagem aos EUA como padrão da organização criminosa.