O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cancelou a visita planejada ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, na quinta-feira (22), para evitar o que aliados chamam de 'beijo da morte'. A decisão veio após declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre sua candidatura presidencial e o apoio esperado a ela. A visita seria a primeira desde o anúncio de Flávio como candidato de Jair contra Lula.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu cancelar a visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no Batalhão da Polícia Militar conhecido como Papudinha, em Brasília. A reunião estava marcada para quinta-feira (22) e seria o primeiro encontro particular entre os dois desde dezembro, quando Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República como escolhido pelo pai.
De acordo com aliados de Flávio, Bolsonaro pretendia confirmar ao governador que o filho é seu candidato presidencial e pedir gestos mais explícitos de apoio. Na terça-feira (20), Flávio declarou publicamente que Tarcísio ouviria de Bolsonaro a importância de sua reeleição ao governo paulista para derrotar o PT nacionalmente. Essa declaração foi o estopim para o cancelamento, conforme fontes próximas.
A assessoria de Tarcísio informou que a visita foi adiada por compromissos no estado, sem especificar datas ou eventos, e que uma nova data será solicitada. Durante evento em São José da Bela Vista (SP) no dia 20, o governador afirmou que ia manifestar solidariedade a um 'grande amigo' e reforçar apoio, referindo-se a Bolsonaro.
A tensão reflete divisões na direita. A vereadora Janaina Paschoal (PP-SP) criticou Flávio, chamando-o de 'filhinho de papai' por declarar descartada uma candidatura presidencial de Tarcísio, e defendeu união da direita para 'enquadrá-lo'. Paschoal apoia uma chapa Tarcísio-Michelle Bolsonaro para 2026. Um aliado de Flávio alertou que apoio 'envergonhado' de Tarcísio poderia custar votos em São Paulo.
Bolsonaro indicou Flávio em carta manuscrita divulgada em 25 de dezembro, após entrevista cancelada ao Metrópoles por questões de saúde e oposições familiares. Tarcísio, que diz focar na reeleição, deve decidir até abril se disputará o Planalto, período para desincompatibilização.