O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacou a marcha liderada pelo deputado Nikolas Ferreira como um movimento corajoso que reuniu 18 mil pessoas em Brasília. O ato bolsonarista consolidou Ferreira como cabo eleitoral nacional do PL para as eleições de 2026. Auxiliares do governo Lula minimizam a mobilização, atribuindo-a a distrações de escândalos.
A manifestação bolsonarista ocorrida no domingo (25) em Brasília marcou a consolidação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como cabo eleitoral nacional do partido. Segundo estimativas do Monitor do Debate Político do Cebrap e da ONG More in Common, o evento reuniu 18 mil participantes, superando expectativas iniciais em meio a chuvas fortes no Distrito Federal.
A marcha, iniciada em Paracatu (MG) e percorrida por sete dias, gerou ampla repercussão nas redes sociais e atraiu apoio de políticos aliados. Apesar de conselhos iniciais contra, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro endossou o ato, sinalizando unidade na direita após recentes tensões. Essas disputas incluíram o cancelamento de uma visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro em 22 de janeiro, interpretado como distanciamento, mas revertido com novo agendamento e declarações públicas de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Em entrevista à Jovem Pan nesta segunda (26), Nikolas defendeu a candidatura de Flávio, afirmando: "O único líder da direita já deu a bênção para o filho dele, o Flávio. Isso está cristalino". Ele criticou a exigência de concordância total com Bolsonaro, dizendo: "Bolsonaro é o líder da direita, claro que ele é. Mas as pessoas acham que temos que concordar 100%, caso contrário se torna um traidor".
Tarcísio, do Republicanos, elogiou a iniciativa em declaração nesta segunda, chamando-a de expressão de "clamor amplo da sociedade" e alertando para uma crise moral pior que a fiscal. Ele descreveu Ferreira, de 29 anos, como "uma grande liderança" e "menino ungido" pela capacidade de mobilização.
Do lado do governo, o ministro Guilherme Boulos (PSOL) acusou o ato de desviar atenção de escândalos envolvendo igrejas evangélicas e o Banco Master. Auxiliares de Lula reconheceram o número de participantes, mas o consideraram inferior ao desejado pela oposição. Um raio atingiu manifestantes durante a chuva, ferindo dezenas, o que líderes petistas como José Guimarães e Lindbergh Farias criticaram como irresponsabilidade dos organizadores, por ignorar condições climáticas e normas de trânsito na BR-040.