Tarcísio de Freitas adota tom eleitoral na captura de Maduro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou um vídeo celebrando a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, acusando o presidente Lula de apoiar o regime venezuelano e ligando o evento às eleições de 2026 no Brasil. A mensagem, gravada durante suas férias, evitou menção a Donald Trump após desgastes anteriores. A resposta veio da ministra Gleisi Hoffmann, que criticou o posicionamento do governador.

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais no dia 4 de janeiro de 2026, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) comemorou a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado anterior (3 de janeiro). Maduro foi levado aos EUA para julgamento por narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas, após bombardeio à capital Caracas, em uma intervenção considerada a maior contra a América Latina em décadas.

Tarcísio, afastado do governo paulista até 11 de janeiro por férias, escreveu o texto pessoalmente. Ele destacou as mazelas da ditadura venezuelana e acusou Lula (PT) de apoiar o regime de Maduro, encerrando com: "A Venezuela agora está vencendo a esquerda e que, no final do ano, o Brasil também vença", em referência às eleições presidenciais de outubro de 2026.

A primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, reforçou: "Uma grande vitória para o povo venezuelano. Que, ao fim das eleições de 2026, nós, brasileiros, também possamos comemorar!".

O vídeo foi bem recebido pela militância bolsonarista e visto por aliados como um recado presidenciável, embora Tarcísio afirme priorizar a reeleição estadual. Diferentemente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também criticou Lula sem ligar explicitamente às eleições brasileiras, Tarcísio foi o último entre governadores de direita, como Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Jr (PSD-PR) e Romeu Zema (Novo-MG), a se manifestar.

Notavelmente, o governador omitiu Donald Trump, contrastando com seu alinhamento anterior, que gerou crise pelo tarifaço imposto aos produtos brasileiros. Em julho de 2025, Tarcísio inicialmente culpou Lula pelo aumento de tarifas, mas depois admitiu impactos negativos para São Paulo e moderou defesa da anistia.

A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) rebateu no domingo (4): "Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só".

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio atribuiu a ação americana à omissão do Brasil em liderar a transição democrática na Venezuela, devido ao alinhamento do PT com Maduro: "O Brasil nunca fez isso, nunca cumpriu esse papel. A gente pode criticar os meios que foram usados agora, a legitimidade ou não. Mas o fato é que algo precisava ser feito e foi feito".

Recentemente, em 1º de janeiro, Tarcísio postou outro vídeo desejando "Feliz 2026" com a equação "Feliz 2026 = Fora PT", vestindo camisa da seleção brasileira. Aliados elogiaram o tom ponderado sobre a Venezuela, destacando engajamento e estratégia para unir a direita.

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