A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) protocolou um requerimento de informações à Casa Civil para esclarecer o envolvimento do presidente Lula no posicionamento oficial do Brasil sobre a captura de Nicolás Maduro pela operação dos Estados Unidos na Venezuela. Ela pede detalhes sobre orientações para não citar o nome do líder venezuelano e questiona a condenação exclusiva à ação americana. O pedido busca exceção ao recesso parlamentar devido à urgência dos fatos.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC), aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro, elaborou um pedido de informações dirigido à Casa Civil, chefiada pelo ministro Rui Costa, para investigar o papel do presidente Lula (PT) na formulação da posição oficial do Brasil sobre a captura de Nicolás Maduro. O documento questiona se houve orientação direta de Lula para que o ditador venezuelano não fosse mencionado nominalmente nas manifestações do governo, apesar de ser o foco da operação internacional dos Estados Unidos.
Zanatta pede que a Câmara dos Deputados receba o requerimento durante o recesso parlamentar, justificando a urgência dos fatos. Ela indaga sobre o envolvimento da Presidência e da Casa Civil na definição, validação e coordenação do posicionamento brasileiro, incluindo as declarações de Lula condenando a operação no dia do ataque, e se elas foram previamente discutidas ou analisadas.
Além disso, a parlamentar questiona a atuação da Casa Civil na reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU em 5 de janeiro, que debateu a captura de Maduro. Ela cobra se houve determinação de Lula para que o governo condenasse apenas a atuação dos EUA, sem abordar a natureza autoritária do regime venezuelano, violações de direitos humanos ou acusações de narcotráfico e crimes contra a humanidade contra Maduro.
No requerimento, Zanatta pergunta se Lula considera compatível com a defesa da democracia condenar um país democrático enquanto silencia sobre um regime acusado de perseguir opositores, fraudar eleições e causar êxodo humanitário. Na justificativa, ela destaca a estranheza da omissão de Maduro, especialmente após o Brasil não reconhecer sua reeleição em 2024 por suspeitas de fraude, e enfatiza a necessidade de esclarecer a decisão política do Executivo na política externa.