O governo brasileiro, sob o presidente Lula, foca na estabilidade política na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, reconhecendo Delcy Rodríguez como líder interina. Lula denunciou a violação da soberania venezuelana e enviou ajuda humanitária, enquanto ignora apelos por eleições. Em conversas com líderes regionais, enfatizou a resolução pacífica da crise.
No sábado, 3 de janeiro de 2026, forças militares americanas atacaram Caracas, capturando o presidente Nicolás Maduro, que agora está em Nova York. Dois dias depois, em 5 de janeiro, Delcy Rodríguez assumiu oficialmente o poder como líder interina, em meio a incertezas sobre a coesão do chavismo.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva prioriza a estabilidade na Venezuela, denunciando publicamente a ação dos EUA como violação do direito internacional e da soberania nacional, um precedente perigoso para a América Latina. Lula telefonou para Delcy logo após a captura para confirmar as informações, e o Brasil a reconheceu como presidente interina desde o início. A embaixadora brasileira em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, compareceu à cerimônia de posse, e a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, afirmou o reconhecimento.
Em apoio humanitário, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou o envio de insumos e medicamentos para pacientes de diálise, afetados por bombardeios que destruíram um centro de tratamento. Um avião venezuelano deve chegar a Guarulhos em 9 de janeiro para recolher 40 toneladas de um total de 300 toneladas arrecadadas, a pedido da Opas.
Na quinta-feira, 8 de janeiro, Lula conversou com o presidente colombiano Gustavo Petro, a mexicana Claudia Sheinbaum e o primeiro-ministro canadense Mark Carney. Com Petro, concordaram que a ação americana viola a Carta da ONU e constitui um precedente perigoso para a paz regional; saudaram a liberação de presos anunciada pela Assembleia Nacional venezuelana e reafirmaram cooperação, citando migrantes venezuelanos acolhidos. Com Sheinbaum, rejeitaram divisões em zonas de influência e convidaram para visita ao Brasil. Com Carney, condenaram o uso da força e discutiram acordo Mercosul-Canadá.
Diferentemente de França, Canadá e União Europeia, que defendem transição pacífica e eleições respeitando a vontade popular —em referência às eleições de julho de 2024, marcadas por fraudes—, o Brasil evita menções a eleições, citando não intervenção, desconfiança na oposição de María Corina Machado e a posição de Donald Trump, que descartou eleições imediatas e afirmou que os EUA administrarão o país, recebendo 30 a 50 milhões de barris de petróleo. Delcy declarou que nenhum agente externo governará.