O presidente Lula minimizou o peso da 'doutrina Trump', relacionada à captura de Nicolás Maduro, e da crise na segurança pública para sua reeleição em 2026. Ele aposta na economia como fator decisivo, com medidas de bem-estar anunciadas para 2025. A oposição tenta explorar esses temas para desgastar o governo.
A oposição brasileira se animou com a operação militar dos Estados Unidos para capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro, vendo nisso uma oportunidade de desgastar o presidente Lula. O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), criticou Lula por falhar em mediar um acordo entre EUA e Venezuela e celebrou o fim de 'um ciclo ruim' no país vizinho, prevendo a derrocada da esquerda no Brasil.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi mais longe, afirmando ter certeza de que Maduro delatará Lula em um acordo com a Justiça americana para reduzir penas, o que romperia a aliança entre Trump e o presidente brasileiro. No entanto, o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, duvidou da longevidade do tema até a eleição de outubro de 2026, provocando: “Estão cuspindo para cima, e vai cair na cara deles”. Ele destacou que Lula usará a questão para defender a soberania nacional, como fez contra sanções anteriores dos EUA.
Auxiliares de Lula e especialistas notam que a política externa tem pouco impacto eleitoral desde a redemocratização. O presidente critica a intervenção americana, mas evita confronto com Trump, agora aliado. Recentemente, a oposição tentou explorar uma operação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro para atacar a imagem de Lula na segurança pública. O marqueteiro Duda Lima, que trabalhou na campanha de Jair Bolsonaro em 2022, disse que priorizaria o tema: “Eu ia dizer: ‘Se você quer que o bandido continue solto, pode votar no governo. Mas se você quer que o bandido fique morto ou preso, você vai votar na oposição’. Isso ia mexer muito com essa massa do meio”.
Pesquisas mostram a segurança como preocupação top dos eleitores, mas Lula acredita que emprego, renda e consumo definirão a eleição. Por isso, anunciou para 2025 linhas de crédito acessíveis para moradia, ampliação da distribuição de gás de cozinha, gratuidade na conta de luz e elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda, priorizando o bem-estar econômico sobre desgastes externos.