O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou um artigo elogiando suas conquistas em três anos de mandato, alegando ter tido 'coragem para fazer o impossível acontecer'. Uma resposta de um deputado estadual do PT questiona essas afirmações, apontando meias-verdades e omissões com base em dados oficiais. O texto destaca falhas em áreas como privatização da Sabesp, infraestrutura e segurança pública.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, divulgou recentemente um artigo em que se apresenta como líder corajoso, listando supostas entregas de sua gestão. No entanto, o deputado estadual pelo PT, líder da Federação PT/PCdoB/PV na Assembleia Legislativa, contesta essas narrativas, confrontando-as com fatos oficiais.
Sobre a privatização da Sabesp, vendida como promessa de mais investimentos e tarifas menores, a realidade inclui problemas recorrentes de falta de água, turbidez e mau cheiro, além de aumentos nas tarifas. Durante a crise hídrica agravada, não houve campanha ampla de economia de água nem plano de contingência para hospitais e escolas.
Em infraestrutura, o governador celebra o túnel Santos–Guarujá, mas omite que metade dos recursos vem do governo federal. O trecho norte do Rodoanel, de 24 km, já tinha 80% de execução antes de sua gestão, e a Linha 17-Ouro do metrô foi reduzida em relação ao projeto original, apesar de estar avançada.
No programa Casa Paulista, Tarcísio afirma ter entregue mais de 76 mil moradias, mas 68% desse número são cartas de crédito de até R$ 16 mil para financiamentos privados, não unidades habitacionais completas.
Na segurança, há queda em homicídios, latrocínios e roubos, mas aumento de feminicídios para 233 casos de janeiro a novembro de 2025, além de furtos de celulares, golpes cibernéticos e letalidade policial persistente.
Na saúde, a criação de 8 mil leitos é questionada: dados do CNES mostram perda de 214 leitos públicos, de 31.373 em dezembro de 2022 para 31.159 em setembro de 2025.
O texto também aponta omissões, como pagamentos de mais de R$ 2 bilhões a concessionárias de rodovias por prejuízos na pandemia, R$ 3,7 bilhões à concessionária da Linha 6 e perdas de R$ 3 bilhões na venda de ações da Sabesp abaixo do mercado. Ademais, renúncia de R$ 18,5 bilhões em regularização de terras no Pontal do Paranapanema e mais de R$ 80 bilhões em renúncias fiscais sem transparência, além de corrupção não explicada com ICMS.
A expansão de pedágios free flow e o aumento de 63,5% no ICMS da gasolina, adicionando cerca de R$ 0,60 por litro, também não são mencionados. O autor conclui que a gestão prioriza interesses privados sobre direitos da população, sustentada por marketing e distorções.