O governo de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, reteve transferências de recursos para prefeituras em 2025, frustrando aliados em ano pré-eleitoral. Apesar de liberações tardias, prefeitos pressionam por mais verbas em meio a dificuldades fiscais. O estado destaca investimentos diretos como alternativa.
A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) reteve a transferência de recursos para prefeituras realizarem investimentos em 2025, como compra de veículos e obras, frustrando aliados que esperavam usar essas entregas em ano pré-eleitoral para as eleições de 2026.
Em 2024, em valores corrigidos pela inflação, o empenho de recursos via transferências somou R$ 1,7 bilhão, segundo a Secretaria da Fazenda e Planejamento. Em 2025, até a segunda quinzena de dezembro, foram quase R$ 1,27 bilhão. Na última semana do ano, após cobranças públicas, o governo liberou mais R$ 424 milhões, quase igualando o total anterior, com apenas R$ 5 milhões a menos.
Prefeitos da base aliada equilibram pressão por verbas e lealdade política. No dia 9 de janeiro, em Anhumas (a 550 km da capital), 17 prefeitos do Pontal do Paranapanema se reuniram pedindo liberação de recursos. Uma faixa no evento dizia "SOS governador: cidades do oeste paulista pedem socorro". O prefeito Adailton Menossi (PSD) esclareceu: "isso aqui não é um protesto, essa faixa é só um pedido".
No Alto Tietê, prefeitos articulam movimento similar, e municípios ligados ao PP consideram apoiar outro candidato se Tarcísio buscar reeleição. As transferências ocorrem por convênios, muitas bancadas por emendas parlamentares. Em 2025, foram R$ 171 milhões via emendas voluntárias, contra R$ 367 milhões em 2024 (corrigidos).
Projetos afetados incluem reformas de prédios para guardas municipais, escolas, obras viárias, compra de tratores e campos de futebol. O ano teve arrecadação fraca em São Paulo, o que levou à redução de repasses, segundo Fred Guidoni, presidente da APM: "As cidades recebem mais atribuições, mas a participação na arrecadação não acompanha".
Políticos criticam o fluxo de liberação no Palácio dos Bandeirantes, apontando desentendimentos entre as secretarias de Arthur Lima (Casa Civil) e Gilberto Kassab (Governo e Relações Institucionais). Cerca de 65% dos repasses de 2025 vieram da Secretaria de Governo. Kassab priorizou reorganização do PSD para 2026, incluindo filiações de prefeitos.
O governo, em nota, afirma ter investido R$ 3,5 bilhões em municípios nos três anos de mandato, além de mais de R$ 30 bilhões em mobilidade e logística. "As ações de repasse e investimento são planejadas de forma integrada", diz o texto, enfatizando diálogo com prefeitos e parlamentares.