O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciará nesta quarta-feira (4) um plano de R$ 20 bilhões para criar 23 mil moradias e infraestrutura em 14 estações ferroviárias no eixo entre São Paulo e Campinas. O projeto Novas Centralidades visa promover autonomia econômica e reduzir deslocamentos, com foco em famílias vulneráveis via parcerias público-privadas.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresentará nesta quarta-feira (4) o projeto Novas Centralidades, um plano bilionário para desenvolver centros urbanos ao redor de estações ferroviárias nas regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. A iniciativa prevê a construção de 23 mil unidades habitacionais próximas a paradas atuais e futuras do metrô e da CPTM na capital paulista, integrando o eixo norte do Trem Intercidades (TIC), previsto para entrar em operação até 2031.
Uma centralidade urbana é definida como uma área com infraestrutura completa de serviços públicos e privados, além de oportunidades de emprego e renda, para minimizar a necessidade de deslocamentos longos pelos moradores. Das moradias, 75% serão destinadas a famílias em vulnerabilidade com renda de até três salários mínimos, com investimento superior a R$ 4,3 bilhões apenas em habitação. Cada uma das 14 estações receberá equipamentos como escolas, creches, supermercados e edifícios corporativos, com custo estimado acima de R$ 1 bilhão por estação, totalizando cerca de R$ 20 bilhões.
O financiamento será via Parcerias Público-Privadas (PPP), onde empresas assumem custos de construção e gestão em troca de exploração econômica, reduzindo aportes estaduais, segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco. "Esse é o primeiro resultado da criação de uma secretaria para o desenvolvimento urbano e não só para a habitação", afirmou Branco.
Além do eixo ferroviário, Tarcísio anunciará R$ 2 bilhões para habitação em mais de 200 municípios. O edital para propostas será publicado em cerca de dez dias, conforme Reinaldo Iapequino, presidente da CDHU. O modelo inspira-se em projetos como o bairro Macuco, em Santos, com fachadas ativas para comércios e serviços no térreo, além de áreas institucionais para órgãos como Ministério Público e Defensoria Pública.
As centralidades serão priorizadas em raios de 1 km das estações, com critérios como proximidade e acessibilidade na seleção. O TIC partirá da estação Água Branca, em São Paulo, passando por Jundiaí até Campinas, integrando BRT e terminais de ônibus.
Desafios incluem áreas de risco geológico em Franco da Rocha e Perus, inundações em Mauá e Piqueri, e preservação de mananciais em Jurubatuba e Varginha. Em Campinas, prevê-se 2 mil moradias; em Jundiaí, idem; e 1 mil em cada de Valinhos, Vinhedo e Louveira.