O distrito de Santa Cecília, na região central de São Paulo, está atraindo investimentos imobiliários focados em habitação popular e projetos de retrofit. Incorporadoras como Magik JC e Plano&Plano lançam empreendimentos acessíveis, enquanto a Somauma revitaliza edifícios antigos. Esses desenvolvimentos transcendem o estereótipo boêmio do bairro, beneficiando famílias de baixa renda.
Santa Cecília, bairro central de São Paulo conhecido por sua identidade boêmia e apelido 'cecilier' para seus moradores, está se transformando com foco em habitação acessível. De acordo com o Secovi, 87,5% dos lançamentos de apartamentos nos últimos 12 meses até setembro custam até R$ 350 mil. A sub-região de Campos Elíseos registra a maior valorização, com o preço do metro quadrado subindo 3,4% em 12 meses, mais que o dobro da taxa de Santa Cecília, conforme o índice Datazap.
A incorporadora Magik JC, especializada em habitação popular no Centro, lançou o Bem Viver Angélica, testando unidades de três dormitórios com 40 m² — quatro metros a mais que as de dois quartos. "Queremos provocar as famílias que buscam esse formato e que normalmente estão fora dos mecanismos de crédito", afirma André Czitrom, CEO e fundador da empresa. Os projetos incorporam elementos da arquitetura brasileira de ouro, como pastilhas, concreto aparente e beirais em varandas.
A Plano&Plano planeja criar 5.000 unidades em seis terrenos na área central. Seu atual lançamento, Centro&Barão de Campinas, oferece 289 apartamentos de até 34,56 m² em 19 andares, com áreas comuns compartilhadas como rooftop e brinquedoteca, visando perfis variados como casais sem filhos. Renée Silveira, diretora de incorporação, destaca que a desconfiança com a segurança diminui, permitindo o uso da palavra 'Centro' nos produtos.
Para opções sustentáveis, o retrofit ganha espaço. A Somauma revitalizou o RBS 700 em Campos Elíseos, transformando um prédio antigo de uma seguradora em 60 apartamentos com murais coloridos, terraço biofílico, bicicletário e varandas ampliadas. Essa abordagem reduz a pegada de carbono ao evitar demolições. Marcelo Falcão, fundador da Somauma, comenta: "O preço no Centro não é elástico, tem limites." Um novo Centro Administrativo estadual pode impulsionar especulações na região.