Pela primeira vez, a Defesa Civil de São Paulo emitiu um alerta extremo para tempestades severas nas zonas sul e leste da capital, neste sábado (17/1), em meio a chuvas intensas que causaram alagamentos e transbordamentos de córregos. O aviso, com som de sirene por 10 segundos, visa proteger a população de riscos iminentes. O temporal segue uma sequência de sete dias de precipitações fortes, agravando problemas recorrentes de enchentes na cidade.
O temporal que atingiu São Paulo neste sábado (17/1) levou a Defesa Civil estadual a ativar, pela primeira vez, o alerta extremo por volta das 18h, direcionado às zonas sul e leste. Diferente do alerta severo habitual, que emite um bip único e vibração, o extremo produz um som prolongado de cerca de 10 segundos, semelhante a uma sirene, com a tela do celular congelando na mensagem até ser fechada manualmente. Essa medida foi adotada devido ao alto risco à vida e à propriedade, influenciada pelas chuvas fortes previstas e pelo trágico incidente do dia anterior, quando um casal de idosos teve o carro arrastado por enxurrada.
O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura colocou toda a cidade em estado de atenção para alagamentos, com evolução para alerta vermelho em bairros como Vila Prudente e Santo Amaro, e iminência de transbordos no Ipiranga. Registros indicam 12 a 13 pontos de alagamento, afetando vias como a avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello (intransitável em trechos), Salim Farah Maluf, das Nações Unidas (com três pontos) e do Estado. Em uma hora, choveu quase 50 mm, volume classificado como extremo pela Organização Meteorológica Mundial, provocando enxurradas e o transbordamento de córregos como o da Mooca e Água Espraiada.
Na sexta-feira (16/1), Marcos da Mata Ribeiro, 68 anos, motorista de aplicativo, e a esposa Maria Deusdete Bezerra Ribeiro, 67 anos, costureira, casados há 46 anos, foram arrastados pela água na avenida Carlos Caldeira Filho, no Capão Redondo (zona sul), a menos de 2 km de casa. O Hyundai HB20 branco foi levado pelo córrego Morro do S. O filho, Hugo Bezerra da Mata Ribeiro, 45 anos, relatou que o pai ligou pedindo ajuda, mas a correnteza interrompeu a comunicação. O corpo de Marcos foi encontrado na manhã de sábado no rio Pinheiros, próximo à ponte Edson de Godoy Bueno, e reconhecido pelo filho. As buscas por Maria foram suspensas ao anoitecer e retomadas no domingo (18/1); o veículo ainda não foi localizado. O casal deixa dois filhos e dois netos.
Moradores da zona sul protestaram contra as enchentes recorrentes, especialmente no entorno da avenida Carlos Caldeira Filho. A convocação destacou: “Ano após ano sofremos danos enormes por causa das enchentes. Vidas, casas, carros, dignidade… Sobrevivemos, e a cada nova enchente só piora”. A deputada estadual Ediane Maria (PSol) protocolou pedido de inquérito civil para investigar a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e o consórcio CG-JZ-Carlos Caldeira por atrasos em projetos como a canalização do córrego Água dos Brancos e microdrenagem no Capão Redondo. Ela afirmou: “Trata-se de um problema antigo, para o qual foram pensadas medidas para solucionar, mas que não vêm sendo executadas a contento”.
Outras ocorrências incluem 14 chamadas para quedas de árvores e 24 para enchentes pelo Corpo de Bombeiros até 20h30, além de 46,2 mil imóveis sem energia inicialmente (reduzido para 26,1 mil). A Rodovia Régis Bittencourt foi bloqueada no km 286 em Itapecerica da Serra. A cidade saiu do estado de atenção às 20h40, mas o tempo segue instável, com previsão de pancadas de chuva no domingo (mínima 19°C, máxima 27°C) e frente fria na segunda (18-25°C). Desde 1º de dezembro, 11 mortes foram registradas por chuvas no estado.