Um apagão iniciado em 10 de dezembro de 2025 por um ciclone extratropical continua afetando centenas de milhares de imóveis em São Paulo, com moradores enfrentando perdas e buscando abrigo em casas de parentes. A Enel prevê o restabelecimento total até o fim de 14 de dezembro, sob ordem judicial de multa por descumprimento.
O apagão em São Paulo começou na quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, causado por um ciclone extratropical com ventos de até 100 km/h, derrubando árvores e danificando redes elétricas. Mais de 3 milhões de clientes foram inicialmente afetados, e no sábado, 13 de dezembro, cerca de 400 mil imóveis ainda estavam sem luz.
Um vídeo viralizou nas redes sociais, registrado pelo influenciador Fabious na Vila Andrade, zona sul, mostrando moradores comemorando o retorno breve da energia em 12 de dezembro, interrompido segundos depois por explosões em postes. 'Finalmente, a luz voltou! Olha isso, todo mundo comemorando', disse Fabious, seguido de 'Não estou acreditando nisso, um dos postes estourou e acabou a luz de novo'.
Moradores relatam prejuízos significativos. Na Bela Vista, a cabeleireira Carmem Silva Souza perdeu entre R$ 10 mil e R$ 12 mil em seu salão fechado desde 10 de dezembro, além de alimentos estragados. O dono de pizzaria João Paulo Umburana Souza gastou R$ 9.800 em um gerador, mas ainda perdeu vendas. Em Perdizes, acusações surgiram de que a Enel alterou a data de início do apagão em protocolos, de 10 para 12 de dezembro, para minimizar prazos. O subsíndico Ricardo Isaac Bellelis destacou perdas de leite materno e medicamentos para uma idosa de 97 anos.
Protestos ocorreram, como no Ipiranga, onde moradores bloquearam vias e acenderam fogos, levando à restauração da energia por volta das 15h20. Em Vila Andrade, mais de 100 imóveis permanecem no escuro, com relatos de furtos e perdas de remédios. Muitos, como Leonir Ferreira no Campo Limpo e Cláudio Andrade em Artur Alvim, buscam refúgio em casas de familiares.
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou em 12 de dezembro que a Enel restabeleça a energia em 12 horas para todos, com multa de R$ 200 mil por hora, e imediatamente para hospitais, escolas e eletrodependentes. A Enel mobilizou 1,8 mil equipes e restaurou serviço para 3,1 milhões de clientes, atribuindo atrasos às rajadas contínuas de vento, as mais prolongadas desde 2006 segundo o Inmet. Um procurador do TCU pediu suspensão da renovação da concessão da Enel até análise de investimentos em manutenção.
Autoridades trocam acusações: a prefeitura culpa a Enel por árvores não podadas, enquanto a concessionária aponta falta de manutenção municipal. A Fuvest preparou geradores para a segunda fase do vestibular em 14 e 15 de dezembro.