Um ciclone extratropical causou um apagão que afetou mais de 2 milhões de imóveis em São Paulo na quarta-feira (10/12), com ventos de até 98 km/h. A Enel, com ajuda de 76 equipes de outras distribuidoras, afirma que o serviço está retornando à normalidade, mas milhares de imóveis ainda estão sem luz no domingo (14/12). Autoridades federais ameaçam revogar a concessão da empresa por falhas no serviço.
O ciclone extratropical atingiu São Paulo na quarta-feira (10/12), com rajadas de vento de até 98,1 km/h na região da Lapa e 82,8 km/h no Mirante de Santana, derrubando árvores e danificando a rede elétrica. Mais de 2 milhões de imóveis na Grande São Paulo ficaram sem energia inicialmente, número que caiu para mais de 1,5 milhão na quinta-feira (11/12), 800 mil na sexta (12/12), 470 mil no sábado (13/12) e cerca de 160 mil na manhã de domingo (14/12). Às 21h02 do domingo, a Enel reportou 46.129 imóveis sem luz na capital, 12.496 em Cotia e 3.547 em Itapecerica da Serra.
A distribuidora mobilizou 76 equipes externas: 40 de suas unidades no Ceará e Rio de Janeiro, e 36 de Light, Elektro, CPFL e Cemig, conforme determinação da Aneel após reunião com o Ministério de Minas e Energia (MME) na sexta-feira (12/12). Uma vistoria conjunta com a Arsesp confirmou operações normais. Em comunicado no domingo, a Enel afirmou que 'o fornecimento de energia está voltando ao padrão de normalidade', com técnicos atuando em reparos complexos como troca de cabos e postes.
Os impactos incluíram mais de 500 chamadas ao Corpo de Bombeiros por árvores caídas, bloqueios de vias, caos no trânsito por falha em semáforos, falta de água em bairros (devido à dependência da Sabesp da eletricidade) e cancelamento de mais de 300 voos. Uma mulher morreu na sexta-feira (12/12) ao ser atingida por uma árvore em Guarulhos.
Politicamente, o MME declarou no domingo que a Enel pode perder a concessão se não cumprir índices de qualidade, sob determinação do presidente Lula para fiscalização rigorosa. O ministro Alexandre Silveira criticou o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes por politizar a crise, enquanto a Enel culpa a prefeitura por falhas na poda de árvores. O Ministério Público no TCU recomendou suspender atos da Aneel para renovação do contrato da Enel, citando 'falhas graves' e violações constitucionais, conforme subprocurador Lucas Rocha Furtado: 'É essencial adotar medidas para evitar a perpetuação de concessões que não atendam aos padrões exigidos pela legislação'.