Um ciclone extratropical atingiu São Paulo em 10 de dezembro de 2025, causando um apagão que afetou mais de 2,2 milhões de clientes da Enel. Na noite de 11 de dezembro, cerca de 1,3 milhão ainda estavam sem luz, sem prazo para restauração. Autoridades criticam a concessionária e pedem intervenção federal.
O ciclone extratropical que passou por São Paulo em 10 de dezembro de 2025 trouxe rajadas de vento de até 98 km/h, derrubando árvores e danificando a infraestrutura elétrica. Isso resultou em um apagão que atingiu o pico de 2,2 milhões de imóveis na Grande São Paulo, com 300 mil novos casos reportados em 11 de dezembro. Até as 20h45 de quinta-feira, 1,3 milhão de clientes permaneciam sem energia, especialmente na capital, onde mais de 900 mil imóveis foram afetados.
A Enel, concessionária responsável, mobilizou mais de 1.600 equipes e forneceu 700 geradores para situações prioritárias, restabelecendo o serviço para cerca de 1,2 milhão de clientes. No entanto, a empresa não forneceu um prazo para a normalização total, afirmando que em algumas áreas é necessário reconstruir completamente a rede, substituindo postes, transformadores e cabos. 'O evento climático causou danos severos à infraestrutura elétrica', declarou a concessionária.
O prefeito Ricardo Nunes criticou a Enel como 'irresponsabilidade', destacando que 137 árvores caíram na cidade, com remoções dependendo da concessionária. O governador Tarcísio de Freitas reiterou pedidos de intervenção federal e caducidade do contrato, que vence em 2028, argumentando que o plano de contingência falhou: 'Temos um contrato muito antigo... Precisamos de investimentos para tornar a rede automatizada'.
Os impactos incluem falta de água, caos em aeroportos com 300 voos cancelados em Congonhas e prejuízos comerciais estimados em R$ 100 milhões. No Ceagesp, mercadorias apodrecem sem refrigeração, e moradores recorrem a geradores caros, com aluguéis a R$ 3.800 por oito horas. Associações de condomínios orientam ações judiciais contra a Enel por custos com geradores. O Ministério de Minas e Energia acionou reforços de outras distribuidoras, mobilizando quase 2.000 equipes no total.