O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou na noite de 22 de janeiro a troca no comando da Casa Civil, nomeando Roberto Carneiro no lugar de Arthur Lima, que assume a Secretaria da Justiça e Cidadania. A mudança ocorre em um momento de tensões com apoiadores de Jair Bolsonaro, após o cancelamento de uma visita à prisão do ex-presidente. Aliados reforçam que Tarcísio buscará a reeleição no estado.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) realizou uma reorganização no alto escalão do governo paulista na noite de quinta-feira, 22 de janeiro. Arthur Lima, aliado de longa data e braço direito do governador, deixou a Secretaria da Casa Civil para assumir a pasta da Justiça e Cidadania, substituindo Fábio Prieto. No lugar de Lima, assume Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, que é capixaba e já coordenou a Casa Civil do Espírito Santo durante a gestão do ex-governador Paulo Hartung, agora filiado ao PSD de Gilberto Kassab.
A troca visa dar um perfil mais político à Casa Civil, fortalecendo a articulação para a campanha eleitoral de Tarcísio, que reforça entre aliados sua intenção de concorrer à reeleição em São Paulo. Carneiro tem boa relação com Kassab, atual secretário de Governo, e com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. Auxiliares indicam que a indicação pode ter sido sugerida por Kassab, embora Tarcísio tenha reservado o direito de escolher o substituto caso o secretário saísse.
O movimento acontece em meio a uma crise com bolsonaristas. Tarcísio cancelou uma visita programada a Jair Bolsonaro, preso na Papudinha desde 15 de janeiro, alegando compromissos internos, e remarcou o encontro para 29 de janeiro. A autorização para a visita veio do ministro Alexandre de Moraes em 20 de janeiro. O cancelamento gerou especulações sobre uma possível candidatura presidencial de Tarcísio, especialmente após Michelle Bolsonaro compartilhar um vídeo dele criticando o presidente Lula e falando em um 'novo CEO' para o Brasil. Isso foi interpretado como apoio à sua pré-candidatura em detrimento de Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai como nome para 2026.
Questionado, Tarcísio negou ambições presidenciais: “Meu nome é o Flávio”, disse, reafirmando foco na reeleição. Lima enfrentava críticas por dificuldades na liberação de recursos a municípios. A última reunião entre Tarcísio e Bolsonaro foi em setembro do ano anterior; uma visita autorizada em dezembro foi cancelada pela prisão do ex-presidente. A defesa de Bolsonaro pediu prisão domiciliar por questões de saúde, mas o pedido foi negado por Gilmar Mendes.