O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta sexta-feira (16) o impeachment do presidente Julio Casares, afastando-o do cargo por 188 votos contra, em meio a escândalos envolvendo irregularidades financeiras e uso de camarotes no Morumbi. A decisão ocorre enquanto a Polícia Civil investiga supostos desvios no clube. Harry Massis Junior assume interinamente a presidência.
O Conselho Deliberativo do São Paulo, reunido de forma híbrida nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026), aprovou o impeachment de Julio Casares por 188 votos contra sua permanência, com 223 conselheiros presentes. O quórum mínimo para a reunião foi de 75% (191 membros), e a destituição exigia dois terços dos votos favoráveis, totalizando 170. O presidente do conselho, Olten Ayres, convocará uma Assembleia Geral em até 30 dias para que os sócios votem o afastamento definitivo.
A queda de Casares resulta de escândalos que erodiram seu apoio político, especialmente a suspeita de uso irregular de camarotes no estádio do Morumbi durante shows. Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios sugerindo um esquema de venda clandestina de ingressos de um camarote presidencial em eventos musicais. Como consequência, Mara Casares, ex-esposa do presidente e diretora de eventos, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, afastaram-se de seus cargos.
Protestos ocorreram em frente ao Morumbi, com faixas chamando Mara de 'ratazana' e Douglas de 'ladrão', além de um carro de som com ameaças como 'Se não votar, o pau vai quebrar'. A namorada de Casares, a atriz Mara Carvalho, relatou no Instagram ter recebido ameaças nas redes sociais, confundida com a ex-esposa: 'Sou namorada do Julio Casares, e acho tudo que está acontecendo muito lamentável. Tenho recebido ameaças, pessoas querendo me linchar [...] Lamentável a atitude doentia do ser humano.'
A Polícia Civil mantém inquérito sobre irregularidades no departamento de futebol e contas bancárias do clube e de Casares, incluindo R$ 1,5 milhão em depósitos pessoais e 35 saques de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025. A defesa de Casares, pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirma que as movimentações têm 'origem lícita e legítima', compatível com sua remuneração anterior na iniciativa privada, e prometeu apresentar documentos.
Harry Massis Junior, de 80 anos e do grupo Vanguarda, assume interinamente. Ele integrou gestões anteriores de Casares, mas votou pelo impeachment após romper a coalizão. A 3ª Vara Cível do Butantã autorizou a reunião híbrida na segunda-feira (12), resolvendo questionamentos estatutários.