A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a admissibilidade da acusação constitucional contra o ministro suspendido do Supremo Tribunal Diego Simpértegui, com 132 votos a favor. O libelo, impulsionado por deputados governistas, baseia-se em três capítulos sobre violações de probidade em casos judiciais chave. O Senado decidirá o caso em 22 de dezembro, podendo destituí-lo se aprovado por maioria.
Em uma sessão histórica em 15 de dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados rejeitou por unanimidade a questão preliminar levantada pela defesa de Diego Simpértegui, com 110 votos contra e zero a favor. Isso pavimentou o caminho para discutir o mérito da acusação constitucional, aprovada com 132 votos a favor e nenhum contra.
O libelo, apresentado pelos deputados do Partido Socialista Daniel Manouchehri e Daniella Cicardini, acusa o juiz de graves omissões de deveres em três áreas: falta de probidade, abstenção e imparcialidade no litígio Codelco vs. Belaz Movitec; conflitos de interesse em nomeações notariais; e violações semelhantes no caso Fundamenta. O caso se insere no «complô bielorrusso», no qual Simpértegui fez um cruzeiro com os advogados Eduardo Lagos e Mario Vargas —atualmente em prisão preventiva— dias após o Supremo Tribunal decidir a favor de Belaz Movitec.
O advogado de defesa Felipe Lizama alegou falhas formais, como tempo insuficiente de revisão e supostos prejulgamentos dos deputados, comparando o caso à venda frustrada da casa de Salvador Allende. Contudo, a deputada Maite Orsini, chefe da comissão examinadora, defendeu o processo: «A questão preliminar não é um julgamento de culpa... Rejeitá-la apenas abre o debate que a Constituição nos impõe».
Manouchehri enfatizou: «Estamos diante de um ministro do Supremo Tribunal que decidiu a favor de uma parte representada por seus amigos... e com quem fez um cruzeiro depois». Lizama insistiu que Simpértegui arcou pessoalmente com suas despesas e que o Senado terá a palavra final.
A Câmara designou Carolina Tello (FA), Daniel Manouchehri (PS) e Jorge Rathgeb (RN) para sustentar a acusação perante o Senado, que funcionará como júri em 22 de dezembro. Se aprovada com pelo menos 26 votos, Simpértegui seria destituído e impedido de exercer cargos públicos por cinco anos.