A câmara do Senado aprovou por unanimidade, com 31 votos a favor, a reforma constitucional que cria o Conselho de Nomeações Judiciais e modifica a governança judicial. O projeto, impulsionado pelo governo em outubro de 2024 após o escândalo do caso Audio, visa introduzir mudanças radicais na seleção de juízes e na administração judicial. Senadores de vários partidos apoiaram a iniciativa, embora tenham solicitado indicações para seu refinamento.
O projeto de reforma constitucional, em sua segunda etapa constitucional, foi aprovado em geral durante a sessão do Senado na terça-feira, 16 de dezembro de 2025. Iniciado pelo Executivo em outubro de 2024, surgiu em resposta ao escândalo do caso Audio, que envolveu o advogado Luis Hermosilla e afetou figuras do Poder Judiciário, incluindo juízes e ministros.
Entre as mudanças propostas, a governança judicial é modificada ao remover dos tribunais a seleção de listas para nomeações de juízes e suprimir a superintendência diretiva, correccional e econômica da Suprema Corte, estabelecida desde 1833. O cerne da reforma é a criação do Conselho de Nomeações Judiciais, um órgão autônomo baseado em princípios de objetividade, tecnicidade, profissionalismo, independência e mérito, que selecionará candidatos por mecanismos efetivos de oposição. Além disso, estabelece-se um órgão autônomo para a administração e gestão de recursos dos tribunais, excluindo o Tribunal Constitucional, Tribunal Qualificador Eleitoral e outros definidos por lei constitucional orgânica.
A discussão recebeu apoio multipartidário, embora os senadores tenham levantado observações. O senador UDI Juan Antonio Coloma apoiou o voto, mas criticou a falta de debate: "Isto é uma reforma constitucional, é algo importante. Tentar abrir a votação sem uma discussão mínima vai contra o que eu acredito que deva ser um debate no Congresso." A senadora independente Alejandra Sepúlveda destacou o questionamento do Poder Judiciário: "Se há algo que nos surpreendeu a todos, é como esse poder fundamental do Estado está sob questionamento constante hoje." O senador FREVS Esteban Velásquez enfatizou a autonomia: "As demandas que todos temos... aqueles que devem administrar a justiça devem ser autônomos, porque caso contrário, em certa medida, o sistema judicial... acaba sendo uma marionete." O senador RN Francisco Chahuán, inelegível para votar, observou que requer modificações. O senador PS José Miguel Insulza viu poucas objeções: "Vejo isso como o início de uma tarefa." Finalmente, o senador UDI Javier Macaya valorizou o novo órgão de recursos: "É de longe o mais relevante da perspectiva de libertar a Suprema Corte de uma função que desviou seu foco jurisdicional."
O prazo para apresentação de indicações foi definido para quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. Após a aprovação, o senador Iván Moreira encerrou a sessão para uma atividade de Natal com a equipe.