A Comissão de Finanças do Senado começou a revisar o projeto de reajuste do setor público, apresentado pelo ministro das Finanças Nicolás Grau. Os deputados aprovaram um aumento salarial gradual de 3,4 % mas rejeitaram a 'norma de desempate' destinada a maior estabilidade no emprego. A oposição prevê rejeitar novamente essa disposição no Senado.
O projeto de reajuste do setor público entrou em sua segunda etapa legislativa após ser enviado pela Câmara dos Deputados. O ministro das Finanças Nicolás Grau apresentou as diretrizes à Comissão de Finanças do Senado, destacando o reajuste salarial nominal de 3,4 %, dividido em 2 % para dezembro de 2025 e 1,4 % para junho de 2026. Esse aumento acarreta um custo fiscal de US$ 1,775 milhão em 2026, do qual o Conselho Fiscal Autônomo (CFA) alertou que US$ 822 milhões carecem de financiamento claro, exigindo realocações ou folga fiscal. Além disso, foi aprovado o adiamento da reavaliação de propriedades não agrícolas de janeiro de 2026 para janeiro de 2027, juntamente com a extensão do teletrabalho até 2028 para serviços do governo central, universidades e centros de formação técnica estatais. Também foi estabelecido que os oficiais de confiança nos gabinetes da Presidência, ministérios e outras autoridades devem renunciar antes de 11 de março de 2026. No entanto, a 'norma de desempate' foi rejeitada na Câmara. Essa disposição original permitia que trabalhadores contratados reclamassem demissões injustificadas perante o Contralor após dois anos; o governo tentou estendê-la para cinco anos, mas não passou. Outras normas rejeitadas incluem a habilitação de serviços logísticos para os Correos de Chile e a participação da Enap em projetos de hidrogênio verde e combustíveis renováveis. Grau informou que o governo reintroduzirá os artigos rejeitados, incluindo a norma de desempate. A oposição, no entanto, opõe-se. O senador UDI David Sandoval declarou: 'O projeto é razoável, mas tudo relacionado ao desempate no Senado não prosperará.' A senadora Ximena Rincón (Democrata), presidente da comissão, criticou: 'É ilógico que este governo tente vincular certas normas e garantir cargos quando está saindo.' O senador socialista José Miguel Insulza espera consenso na próxima sessão em 19 de janeiro. Sobre o financiamento, Sandoval questionou a falta de informações verdadeiras do governo. Rincón acrescentou: 'O governo não está explicando de onde virão os recursos.' Além disso, o plano de incentivo à aposentadoria voluntária para funcionários com mais de 75 anos gerou críticas por discriminação etária, com Insulza e Rincón argumentando que viola tratados internacionais e promove o 'ageísmo'. Sandoval compartilhou a preocupação, defendendo um sistema de aposentadoria adequado para renovar estruturas sem restrições.