O ministro da Fazenda Nicolás Grau apresentou ao Congresso um projeto de reajuste do setor público que estabelece um recorde com 129 artigos, incluindo uma controversa norma vinculante e diversas iniciativas variadas. A proposta atrai críticas da oposição por sua extensão, falta de financiamento e medidas que poderiam vincular o próximo governo. O custo fiscal estimado para 2026 é de US$ 1,775 milhão.
O governo chileno iniciou o trâmite de um ambicioso projeto de lei de reajuste do setor público, apresentado pelo ministro da Fazenda Nicolás Grau, que estabelece um recorde histórico com 129 artigos. Essa iniciativa, ingresada na Câmara dos Deputados, não aborda apenas reajustes salariais e bônus para servidores públicos, mas também incorpora uma ampla gama de medidas variadas, como a extensão do teletrabalho até 2028, a suspensão de reavaliações patrimoniais até 2027 e a extinção de responsabilidade administrativa por infrações sanitárias durante a pandemia de Covid-19.
O projeto inclui um reajuste salarial gradual de 3,4%, com 2% em dezembro de 2025 e 1,4% em junho de 2026, equivalente a um impacto fiscal médio de 2,8%. Para salários mínimos, o ajuste supera 5%, juntamente com bônus para trabalhadores de baixa renda. No entanto, o custo total para 2026 atinge US$ 1,775 milhão, dos quais apenas US$ 660 milhões estão provisionados, deixando o restante para realocações orçamentárias ou rubricas existentes, gerando dúvidas sobre seu financiamento.
Uma das disposições mais controversas é a chamada 'norma vinculante', que altera o critério de confiança legítima de cinco para dois anos para renovações de contratos, exige notificações formais e permite reclamações perante o Contralor Geral. Ela também obriga que assessores diretos cessem funções em 11 de março de 2026. A oposição, incluindo deputados da UDI, RN e Republicanos como Felipe Donoso, Frank Sauerbaum e Agustín Romero, criticou a extensão do projeto, seu processamento apressado e impacto no próximo governo. 'Um projeto tão longo não pode ser discutido rapidamente', disse Donoso. Sauerbaum observou que está 'sem financiamento desde o início'.
Grau rejeitou dividir o projeto, afirmando que o aprovado é aprovado e o rejeitado é rejeitado. A Comissão de Fazenda se reunirá nesta quarta-feira para avançar as discussões, visando despachá-lo na próxima segunda-feira. Dos 129 artigos, 37 correspondem ao acordo com a Mesa do Setor Público, 69 são melhorias variadas e o restante são compromissos orçamentários ou incentivos à aposentadoria. Historicamente, o recorde anterior foi de 110 artigos em 2024 sob o mesmo governo.