O governo de Gabriel Boric incluiu disposições no projeto de lei de reajuste do setor público que restringem demissões de servidores públicos, atraindo críticas da equipe do presidente eleito José Antonio Kast, que as chama de quebra de confiança. Arturo Squella, presidente do Partido Republicano, alertou que essas medidas minam as relações entre administrações. O executivo as defende como formalização de regras existentes.
O projeto de lei de reajuste do setor público acordado pelo governo de Gabriel Boric com a maioria dos sindicatos inclui um aumento salarial de 3,4% em duas etapas: 2% a partir de dezembro de 2025 e 1,4% a partir de junho de 2026, sem aumento real devido à inflação. No entanto, o final do protocolo adiciona disposições que limitam a não renovação de contratos ou alterações nos termos para subsecretarias, serviços públicos, delegações presidenciais, universidades estaduais e municípios, exigindo atos administrativos justificados com base em critérios objetivos.
Servidores com pelo menos dois anos contínuos podem contestar falhas de legalidade perante o Controlador Geral, salvo se optarem por ação judicial. Também regula o pessoal assessoro nos gabinetes de altas autoridades, estabelecendo causas de demissão e mecanismos de transparência.
A equipe de Kast reagiu com veemência. Arturo Squella afirmou que «esse artigo quebra ou coloca em risco as confianças tão importantes nesta etapa» e chamou a norma de «inaceitável» por tentar blindar contratações. Acrescentou que, se o governo persistir, «nada poderá ser construído» após 11 de março. O deputado republicano Agustín Romero a classificou como «fraude» que rigidiza a administração para manter «o Estado infiltrado com seus operadores políticos».
Deputados da UDI anunciaram rejeição, argumentando que busca garantir a permanência de funcionários ligados politicamente. O Ministério do Trabalho explicou que «não altera as regras atuais: formaliza em lei o que foi discutido ou incorporado por instruções ministeriais, acórdãos do Controlador e decisões judiciais». José Pérez, da Anef, defendeu-a como atendimento a demandas históricas de estabilidade no emprego.
Críticas paralelas surgiram quanto ao financiamento: o reajuste custa US$ 1,5 bilhão, mas apenas US$ 600 milhões estão orçamentados, segundo deputados como Frank Sauerbaum (RN). O ministro da Fazenda Nicolás Grau assegurou que será financiado.
Essas fricções somam-se a trocas sobre direitos das mulheres, nas quais a ministra Antonia Orellana criticou o Partido Republicano e o retorno da Primeira-Dama, respondido por Squella exortando as ministras saídas a moderarem suas declarações.