Após o atraso na apresentação do projeto de lei, o governo argentino insiste que sua reforma trabalhista não afetará direitos adquiridos, refutando acusações de engano da CGT sobre declarações do ministro Sturzenegger. Kirchneristas avançam com proposta rival no Senado enquanto sindicatos planejam marcha em 18 de dezembro.
Nos últimos desdobramentos da reforma trabalhista de Javier Milei — anteriormente adiada devido à viagem do presidente e negociações com a CGT —, o governo reafirmou que as modificações em 57 artigos da Lei de Contrato de Trabalho e a eliminação de nove não serão retroativas, preservando os "direitos adquiridos". Isso responde à alegação do colíder da CGT, Cristian Jerónimo, de que a declaração de Sturzenegger sobre aplicar mudanças a "todas as relações trabalhistas" (incluindo um novo Fundo de Assistência Trabalhista) foi um "ato falho freudiano", expondo um escopo mais amplo apesar de garantias anteriores apenas para contratos futuros.
A CGT considera a reforma "regressiva", retirando direitos sem criar empregos — citando 276.624 empregos perdidos e 19.164 fechamentos de empresas desde novembro de 2023, segundo dados da CEPA e SRT, após mudanças na Lei das Bases. Eles convocaram uma marcha à Praça de Maio em 18 de dezembro, apoiada por ATE, CTA e UOM, mas sem greve geral.
A oposição kirchnerista no Senado, liderada por Mariano Recalde e Vanesa Siley, prepara uma alternativa com "mudanças estruturais": salário mínimo acima da cesta básica, negociações sem teto, pagamento apenas em espécie, semana de trabalho de 42 horas, direito à desconexão digital, comitês de saúde laboral e licenças parentais de 90 dias. Eles argumentam que o plano oficial agrava a precariedade em meio a falhas da política econômica.
O projeto de lei agora entrou no Senado por sessões extraordinárias até o fim do ano, onde seu destino está em jogo em meio a tensões. O economista Daniel Artana, do FIEL, alertou que, sem modernização, a produtividade estagnada da Argentina impedirá o crescimento de empregos.