O governo argentino adiou o envio do projeto de reforma laboral ao Congresso devido à ausência do presidente Javier Milei e negociações de última hora com a CGT. A iniciativa pode ser discutida em comissões na próxima semana, mas a aprovação antes do fim do ano é improvável. O sindicato rejeita o projeto e pressiona por mudanças em pontos sensíveis.
O projeto de reforma laboral promovido pelo governo de Javier Milei ainda não foi enviado ao Congresso, impedindo sua discussão imediata no Senado. O atraso deve-se principalmente à ausência do presidente, que regressa de Oslo, na Noruega, após participar da cerimônia do Prémio Nobel da Paz atribuído a Corina Machado. A sua assinatura é necessária para iniciar o processo, existindo incerteza quanto a se o envio ocorrerá esta noite ou quinta-feira, segundo a Noticias Argentinas.
Dadas estas datas-limite, a Comissão de Trabalho e Segurança Social poderá reunir-se na segunda ou terça-feira, emitindo possivelmente um relatório na quarta-feira. Contudo, a discussão no plenário do Senado só poderá ocorrer a 29 ou 30 de dezembro, tornando improvável a aprovação ainda este ano, contrariamente às expectativas iniciais do governo.
Entretanto, a CGT mantém críticas veementes e acelera as negociações com o executivo sobre o texto final. O sindicato rejeita de forma absoluta a iniciativa, mas procura pelo menos preservar aspetos como a ultratividade, os acordos de negociação coletiva e as quotas sindicais. Cristian Jerónimo, do Sindicato da Indústria Vidreira, descreveu o projeto como "regressivo" e sublinhou que, sem uma mesa de negociação real com representantes laborais, não apoiarão alterações que afetem direitos adquiridos.
Na quinta-feira, a CGT convocou o seu conselho executivo para uma reunião ao meio-dia na sede da Azopardo, com o objetivo de unificar posições. Gerardo Martínez, da UOCRA, faltou a uma reunião anterior do Conselho de Maio, na qual o governo apresentou conclusões preliminares. Além disso, líderes sindicais como Jorge Sola e Jerónimo reuniram-se com legisladores peronistas como Guillermo Michel e Gustavo Bordet para analisar a reforma e o seu impacto em setores como o citrícola e o avícola na província de Entre Ríos. Michel declarou: "Uma reforma laboral por si só não cria empregos; a geração de emprego requer um processo de crescimento económico sustentado que proteja e promova a indústria e a produção nacional."
Às 17h, a direção da CGT visitará o Congresso, convidada por senadores do PJ, para discutir o conteúdo do projeto antes de este chegar à câmara alta. Enquanto isso, na Casa Rosada, os funcionários admitem atrasos na publicação, revendo artigos sensíveis devido ao impacto político. A jornalista Mariana Mei avisou que é "bastante impossível" debater a reforma laboral e outras iniciativas antes de 30 de dezembro, dada a agenda ambiciosa das sessões extraordinárias e a ausência de comissões constituídas.