Gremios empresariais chilenos manifestaram oposição ao anúncio do governo de apresentar um projeto de lei de negociação coletiva ramal ou multinível em 5 de janeiro de 2026, alegando que terá efeitos negativos no emprego. A presidente da CPC, Susana Jiménez, chamou-o de gesto político improvável de prosperar, enquanto líderes da Sofofa e CCS alertaram para rigidezes e custos para as PMEs.
O governo chileno confirmou seu plano de submeter ao Congresso um projeto de lei de negociação coletiva ramal ou multinível em 5 de janeiro de 2026. Essa iniciativa visa reformar a negociação coletiva permitindo acordos em nível setorial ou ramal, mas atraiu duras críticas dos gremios empresariais, que alertam para efeitos adversos no mercado de trabalho.
A presidente da CPC, Susana Jiménez, afirmou que "o anúncio é uma piscadela ao seu setor político, pois o prazo de submissão indica que o governo não espera que este projeto prospere". Ela acrescentou que "isso não diminui a preocupação com sua insistência, pois vai contra o fortalecimento do mercado de trabalho, a geração de mais oportunidades de emprego e a redução da taxa de informalidade". Jiménez enfatizou que "não há precedentes que permitam prever um impacto positivo no emprego; pelo contrário, afetará a entrada no mercado de trabalho".
A presidente da Sofofa, Rosario Navarro, destacou o contexto chileno de informalidade superior a 26% e desemprego persistente. "Qualquer reforma trabalhista deve se concentrar em gerar mais emprego formal e melhores condições de crescimento", disse ela. Navarro criticou o projeto por ir na direção oposta, citando o aumento dos custos trabalhistas decorrentes de regulações como aumentos do salário mínimo e redução da jornada de trabalho.
A presidente da CCS, María Teresa Vial, juntou-se às preocupações: "Vemos com preocupação o projeto de negociação coletiva ramal proposto pelo governo, como modelo multinível, pois não reflete a alta heterogeneidade do comércio e serviços". Ela alertou que imporá rigidezes e custos, afetando particularmente as pequenas e médias empresas, desencorajando contratações formais e limitando investimentos.
Apesar da oposição, Jiménez observou que a CPC está disposta a participar dos debates legislativos para apresentar suas posições, argumentando que a iniciativa prejudica o desenvolvimento do país.