A Câmara dos Deputados aprovou e enviou ao Senado o projeto de reajuste do setor público, incluindo um aumento salarial gradual de 3,4 %. No entanto, rejeitou as controversas 'normas de amarração' impulsionadas pelo governo, que planeja reintroduzi-las na Câmara Alta. Parlamentares da oposição criticaram a falta de financiamento claro para parte do custo fiscal.
Em 14 de janeiro de 2026, a Câmara dos Deputados do Chile aprovou o projeto de reajuste do setor público e o enviou ao Senado para processamento legislativo adicional. O aumento salarial é gradual de 3,4 %, com 2 % em dezembro de 2025 e 1,4 % em junho de 2026, equivalente a um impacto fiscal médio de 2,8 %. Remunerações mínimas superam 5 %, mais bônus para trabalhadores de baixa renda, equilibrando demandas sindicais com responsabilidade fiscal. O custo total é de US$ 1,775 bilhão em 2026, mas o Conselho Fiscal Autônomo (CFA) alertou que US$ 822 milhões não têm financiamento claro, exigindo realocações ou folga fiscal. 119 de 132 artigos foram aprovados, incluindo o adiamento da reavaliação de propriedades não agrícolas de janeiro de 2026 para 2027, a extensão do teletrabalho até 2028 para serviços públicos e universidades estatais, e a exigência de renúncia de funcionários de confiança até 11 de março de 2026. As 'normas de amarração' falharam: a proposta de estender de 2 para 5 anos o prazo para trabalhadores contratados reclamarem demissões injustificadas perante o Contralor foi rejeitada, mantendo-o em 2 anos; ampliações para Correos de Chile em serviços logísticos e para Enap em projetos de hidrogênio verde e combustíveis renováveis também foram negadas. O ministro da Fazenda, Nicolás Grau, afirmou que as reintroduzirão no Senado para honrar compromissos com o setor público. A oposição reagiu com veemência. O deputado UDI Felipe Donoso chamou de 'cheque em branco', alertando que o governo entrante de José Antonio Kast precisará se ajustar para cumpri-lo. O senador RN Rodrigo Galilea, presidente da Comissão de Finanças, espera ratificar o reajuste mas rejeitar as amarrações, notando realocações necessárias. O deputado PSC Roberto Arroyo rotulou como 'grave irresponsabilidade fiscal', comprometendo recursos inexistentes. O RN Frank Sauerbaum acolheu a rejeição das amarrações e a aprovação de benefícios para idosos e grupos vulneráveis. O projeto vai à Comissão de Finanças do Senado na quinta-feira, 15 de janeiro, presidida por Ximena Rincón (Demócratas), para discutir sua viabilidade diante de alertas do CFA e do Contralor.